PARTE I

DINÂMICA DO SETOR BANCÁRIO 2017

PATRIMÔNIO LÍQUIDO DO SETOR BANCÁRIO (R$ BILHÕES)*

Patrimônio líquido do setor bancário * Valores revistos para critérios de segmentação B1 e B2 do BACEN.

INVESTIMENTO EM TECNOLOGIA (R$ BILHÕES)

Investimento em tecnologia

LUCRO LÍQUIDO DO SETOR BANCÁRIO (R$ BILHÕES)*

Lucro líquido do setor bancário * Valores revistos para critérios de segmentação B1 e B2 do BACEN.

RETORNO SOBRE PATRIMÔNIO LÍQUIDO DO SETOR BANCÁRIO (%)

Retorno sobre patrimônio líquido do setor bancário

TRANSAÇÕES EM CANAIS DIGITAIS (BILHÕES)

Transações em canais digitais

BOLETOS ELETRÔNICOS ACUMULADOS NO DDA (BILHÕES)

Boletos eletrônicos acumulados no DDA
OPERAÇÕES DE CRÉDITO (R$ TRILHÕES)
Operações de crédito
TRANSAÇÕES COM CARTÕES DE CRÉDITO E DÉBITO (BILHÕES)
Transações com cartão de crédito e débito
VALOR DAS TRANSAÇÕES COM CARTÕES DE CRÉDITO E DÉBITO (R$ BILHÕES)*
Valor das transações com cartões de crédito e débito * Valores dos anos anteriores foram revistos pela Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (ABECS).
CONSUMIDORES COM RELACIONAMENTOS ATIVOS NO SISTEMA (MILHÕES)
Consumidores com relacionamentos ativos no sistema
CENÁRIO ECONÔMICO

Em 2017, a atividade econômica no País seguiu em trajetória de retomada gradual, evidenciada por quatro aumentos trimestrais consecutivos do PIB na margem, e encerrou com crescimento de 1,0% após dois anos de forte retração.

Considerado esse contexto e as perspectivas mais positivas em relação à continuidade da recuperação, as projeções de mercado para o crescimento anual do PIB em 2018 e 2019 situam-se em torno de 2,75% ao ano, o que traduz perspectivas mais favoráveis no médio prazo.

Do lado da oferta, destaca-se o resultado positivo da indústria de transformação, que aumentou 2,4% no último ano após recuar 17% no acumulado de 2014 a 2016, segundo a Pesquisa Industrial Mensal (PIM-IBGE). Também impulsionaram o PIB de 2017 os setores da agropecuária, com alta de 13%; e de serviços, ainda que modestamente, com avanço de 0,3%. O comércio varejista ampliado (inclui as vendas de veículos e de materiais de construção) cresceu 4%, primeira alta desde 2013, segundo Pesquisa Comercial Mensal (PMC-IBGE).

No âmbito da demanda, destacou-se a melhora consistente do consumo das famílias, com elevação de 1% no PIB de 2017. A evolução do consumo evidencia principalmente o aumento gradual do poder de compra, impulsionado por redução da inflação, condições mais favoráveis no mercado de trabalho e no crédito e liberações extraordinárias de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

Ainda em relação à demanda, os investimentos (Formação Bruta de Capital Fixo – FBCF) voltaram a crescer no 4T17 na base anual, o que não ocorria desde o 1T14, com alta de 3,8% ao ano. A FBCF registrou recuperação na margem ao longo de todo o ano de 2017, o que repercutiu melhora gradativa na importação e na produção de bens de capital, bem como evolução na produção de insumos de construção civil e de máquinas e equipamentos associados ao setor. Tal evolução, em conjunto com indicadores de confiança de empresários, sugere que os investimentos continuarão reagindo após a forte retração de 2014 a 2016.

Por fim, a taxa de desemprego, divulgada pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua – IBGE), atingiu 11,8% no último trimestre de 2017, após superar 13,5% durante o ano. Embora a redução da taxa de desocupação reflita em boa parte um aumento de ocupados em categorias informais, revela também reversão expressiva na dinâmica de criação de empregos no mercado formal. Quanto à renda do trabalhador, a queda da inflação em curso segue favorecendo a recuperação gradual de seu poder aquisitivo. De acordo com dados da PNAD Contínua, o rendimento médio real habitual de todos os trabalhos aumentou 1,6% no 4T17 ante o 4T16, e a massa salarial cresceu 3,6% nessa mesma comparação.

CRÉDITO

O saldo total das operações de crédito do Sistema Financeiro Nacional (SFN) declinou 0,6% em 2017, após recuo nominal de 3,5% em 2016.

Em 2017, as variações foram de -3,0% no crédito direcionado e +1,7% no crédito livre, este basicamente por conta do desempenho do segmento de pessoas físicas (PF), com +5,2%, ante queda no segmento de pessoas jurídicas (PJ), (-2,0%). No crédito direcionado, o saldo de PF cresceu (+6,2%), enquanto de PJ recuou (-11,6%).

De modo geral, a carteira de PF seguiu mostrando maior dinamismo ao longo do ano, em contexto de melhora gradativa do mercado de trabalho, forte redução da inflação e dos juros, importante desalavancagem de dívidas das famílias e consequente recuperação gradual do consumo e do varejo.

Destacaram-se na evolução do saldo de crédito às pessoas físicas em 2017: o aumento no saldo de empréstimos no crédito consignado (+7,9%), aquisição de veículos (+4,3%), cartão de crédito à vista (+11,8%), financiamento imobiliário (+5,7%) e crédito rural (+8,4%). Já os saldos de cheque especial (-6,9%) e de cartão de crédito rotativo (-14%) recuaram.

Em 2017, o crédito bancário às pessoas jurídicas sofreu com a ociosidade ainda elevada na indústria, com a recuperação mais lenta dos investimentos e com o processo mais demorado de desalavancagem e restruturação das dívidas das empresas. Vale citar, porém, que boa parte da queda foi compensada pelo grande aumento de captações no mercado de capitais, consideradas tanto as emissões domésticas quanto externas.

Como destaques ainda positivos no crédito bancário às pessoas jurídicas, ressaltam-se: crescimento dos saldos nas modalidades de desconto de duplicatas (+51,1%), antecipação de recebíveis de cartão (+555,7%) e financiamento a importações (+9,3%) e exportações (+2,7%). Entretanto, houve forte queda em modalidades muito representativas, como capital de giro (-8,8%), conta garantida (-11,7%) e repasse externo (-7,0%), o que puxou o crédito à pessoa jurídica com recursos livres para o terreno negativo. Nas modalidades direcionadas, houve retração do crédito rural (-16,9%), de financiamentos imobiliários (-16,2%) e do saldo do BNDES (-11,8%), impactado por liquidações de operações e pelas novas políticas da instituição.

Crédito rural

Em relação ao segmento de crédito rural, no ano agrícola 2016/2017 (1º de julho de 2016 a 30 de junho e 2017), segundo dados do BACEN, o número total de operações contratadas foi de R$ 2,10 milhões, ante R$ 2,33 milhões na safra anterior.

Quanto ao volume financeiro da safra 2016/2017, o montante foi de R$ 153,5 bilhões, ante R$ 165,8 bilhões em 2015/2016, dos quais a maior parte foi destinada a operações de custeio (59,6%) e de investimento (23,1%).

É importante destacar a tendência de crescimento no volume de recursos oriundos da emissão de Letras de Crédito do Agronegócio (LCA). Na safra 2016/2017, esses títulos representaram 11,2% do total de operações contratadas (R$ 17,1 bilhões), ante 8,1% do período anterior (R$ 13,4 bilhões).

Cabe salientar que, desde o ano agrícola 2015/2016, passou a vigorar o direcionamento dos recursos captados pela emissão de LCA para o financiamento da agricultura.

Ainda assim, a maior parcela dos volumes (R$ 48,3 bilhões ou 31,5% do total) provém dos recursos obrigatórios, com taxas de juros fixas estabelecidas para o financiamento. O saldo total da carteira de crédito rural, em julho de 2017, foi R$ 241,8 bilhões, ante R$ 234,0 bilhões em julho de 2016.

JUROS E SPREAD

A taxa média de juros das operações de crédito ficou em 25,6% ao ano no fim de 2017, recuo de 6,6 pontos percentuais (p.p.) em relação ao ano anterior, em linha com o ciclo da política monetária e queda da Selic. Houve redução de 11,9 p.p. no segmento de recursos livres e de 1,5 p.p. no âmbito das operações com recursos direcionados. Destaca-se, no crédito livre, a queda de 17,3 p.p. nas taxas para pessoa física e de -6,6 p.p. para pessoa jurídica.

Vale lembrar que o BC divulga, desde abril de 2017 (com dados desde 2013), o Indicador de Custo do Crédito (ICC), que permite avaliar o custo médio considerando o efeito das taxas contratadas no passado. Por razões metodológicas, a taxa de juros no crédito com recursos livres é muito impactada por modalidades com prazos de vencimento diferentes.

Portanto, para uma visão mais completa do custo do crédito e dos spreads bancários, devem-se combinar taxas, concessões, saldos e prazos das operações. O ICC é a medida mais exata para base de cálculo.

Considerando-se as medidas do ICC no fim de 2017, o spread do crédito livre para pessoa física ficou em 37,0% a.a. e para pessoa jurídica, em 12,8% a.a. Já no direcionado, o spread para PF ficou em 3,3% a.a. e 3,6% a.a. para PJ.

TAXA DE INADIMPLÊNCIA E ENDIVIDAMENTO

Em 2017, a inadimplência (acima de 90 dias) da carteira de PJ apresentou recuo de 3,5% para 2,9% e a carteira de PF, de 3,9% para 3,5%. A taxa total passou de 3,7% para 3,2%.

Os atrasos (de 15 a 90 dias) também diminuíram em relação a dezembro de 2016, de 4,5% para 4,4% no total, e alcançaram 2,2% em pessoas jurídicas (-0,9 p.p.) e 6,3% em pessoas físicas (+0,5 p.p.).

Observa-se que atrasos e inadimplência no crédito registraram alta entre 2015 e meados de 2017, momento mais agudo da recessão econômica, com níveis historicamente elevados. A reversão a partir de 2017 confirmou-se ao longo do ano, com a retomada gradual do crescimento do varejo e da indústria.

Taxa de inadimplência e endividamento
Taxa de inadimplência e endividamento
CAPTAÇÃO DE RECURSOS

O sistema bancário segue contando com recursos estáveis em volume suficiente para financiar suas atividades, tanto de curto como de longo prazo.

A estrutura de captação dos bancos brasileiros não sofreu grande alteração em 2017, sendo ainda predominantemente via depósitos a prazo, de poupança e à vista, que respondem por pouco mais de 30% do total captado, bem como emissão de letras financeiras, imobiliárias e do agronegócio, além de repasses do BNDES e captações no mercado aberto.

Em 2017, houve continuidade do processo de migração das operações compromissadas, sobretudo dos depósitos a prazo, como efeito da Resolução 4.527/2016, que vedou a realização, a prorrogação ou a renovação de operações compromissadas com títulos de emissão ou o aceite de instituições ligadas ou integrantes do mesmo conglomerado prudencial.

Essa categoria apresentou crescimento de 19,4% em relação a 2016, ante +13,6% no ano anterior. Adicionalmente, o movimento de redução da taxa básica de juros da economia favoreceu a recuperação da captação de recursos via poupança, com elevação de 9% em 2017, ante +1,3% no período anterior.

Volume de captações (R$ bilhões)
Volume de captações Fonte: Banco Central do Brasil.
MARGEM DE JUROS (CRÉDITO E TÍTULOS)

Segundo o Relatório de Estabilidade Financeira do Banco Central do Brasil, de dezembro de 2017, a margem bruta de juros – que representa a diferença entre o retorno da carteira de crédito e títulos e o custo de captação – manteve-se praticamente estável ao longo do segundo semestre.

Apesar da redução da rentabilidade das operações de crédito, decorrente de menores taxas cobradas nas novas operações em consonância com a redução da taxa Selic, esse efeito é mais do que compensado pela redução dos custos de captação, o que resultou algum ganho na margem bruta de crédito.

Entretanto, ao considerar a margem bruta de juros mais abrangente (crédito mais títulos), a queda do spread na intermediação de títulos e valores mobiliários praticamente anula esse ganho.

Margem de juros (crédito e títulos) – %
Margem de juros (crédito e títulos)
RESILIÊNCIA DO SETOR BANCÁRIO – ÍNDICE DE BASILEIA

A estabilidade financeira depende da resiliência das instituições para absorver riscos e choques. Nesse sentido, o sistema bancário apresenta sólidos índices de capitalização e baixa alavancagem, tanto em relação à regulação atual quanto às regras de Basileia III.

Em 2017, o sistema bancário operou com índices de capital bastante superiores aos requerimentos regulatórios, mesmo ao se considerar o ambiente econômico adverso no ano, refletido no desempenho dos indicadores de rentabilidade.

O Índice de Basileia (Capital Total) dos bancos brasileiros teve elevação, em 2017, de 17,4% para 18,2%, o que confirma a adaptação dos bancos brasileiros aos novos requisitos prudenciais de Basileia III, cujo cronograma se estende até 2022.

No que se refere ao Capital Principal, de maior qualidade, os bancos registraram índice de 13,52% em dezembro de 2017, ante 12,72% no mesmo mês de 2016, o que também reforça a solidez dessas instituições.

Evolução do Índice de Basileia
Evolução do Índice de Basileia Fonte: Banco Central do Brasil.
* Conforme segmentação BACEN – B1 e B2.
FEBRABAN - Dinâmica do Setor Bancário 2017

PARTE I

DINÂMICA DO SETOR BANCÁRIO 2017

PATRIMÔNIO LÍQUIDO DO SETOR BANCÁRIO (R$ BILHÕES)*

Patrimônio líquido do setor bancário * Valores revistos para critérios de segmentação B1 e B2 do BACEN.

INVESTIMENTO EM TECNOLOGIA (R$ BILHÕES)

Investimento em tecnologia

LUCRO LÍQUIDO DO SETOR BANCÁRIO (R$ BILHÕES)*

Lucro líquido do setor bancário * Valores revistos para critérios de segmentação B1 e B2 do BACEN.

RETORNO SOBRE PATRIMÔNIO LÍQUIDO DO SETOR BANCÁRIO (%)

Retorno sobre patrimônio líquido do setor bancário

TRANSAÇÕES EM CANAIS DIGITAIS (BILHÕES)

Transações em canais digitais

BOLETOS ELETRÔNICOS ACUMULADOS NO DDA (BILHÕES)

Boletos eletrônicos acumulados no DDA
OPERAÇÕES DE CRÉDITO (R$ TRILHÕES)
Operações de crédito
TRANSAÇÕES COM CARTÕES DE CRÉDITO E DÉBITO (BILHÕES)
Transações com cartão de crédito e débito
VALOR DAS TRANSAÇÕES COM CARTÕES DE CRÉDITO E DÉBITO (R$ BILHÕES)*
Valor das transações com cartões de crédito e débito * Valores dos anos anteriores foram revistos pela Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (ABECS).
CONSUMIDORES COM RELACIONAMENTOS ATIVOS NO SISTEMA (MILHÕES)
Consumidores com relacionamentos ativos no sistema
CENÁRIO ECONÔMICO

Em 2017, a atividade econômica no País seguiu em trajetória de retomada gradual, evidenciada por quatro aumentos trimestrais consecutivos do PIB na margem, e encerrou com crescimento de 1,0% após dois anos de forte retração.

Considerado esse contexto e as perspectivas mais positivas em relação à continuidade da recuperação, as projeções de mercado para o crescimento anual do PIB em 2018 e 2019 situam-se em torno de 2,75% ao ano, o que traduz perspectivas mais favoráveis no médio prazo.

Do lado da oferta, destaca-se o resultado positivo da indústria de transformação, que aumentou 2,4% no último ano após recuar 17% no acumulado de 2014 a 2016, segundo a Pesquisa Industrial Mensal (PIM-IBGE). Também impulsionaram o PIB de 2017 os setores da agropecuária, com alta de 13%; e de serviços, ainda que modestamente, com avanço de 0,3%. O comércio varejista ampliado (inclui as vendas de veículos e de materiais de construção) cresceu 4%, primeira alta desde 2013, segundo Pesquisa Comercial Mensal (PMC-IBGE).

No âmbito da demanda, destacou-se a melhora consistente do consumo das famílias, com elevação de 1% no PIB de 2017. A evolução do consumo evidencia principalmente o aumento gradual do poder de compra, impulsionado por redução da inflação, condições mais favoráveis no mercado de trabalho e no crédito e liberações extraordinárias de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

Ainda em relação à demanda, os investimentos (Formação Bruta de Capital Fixo – FBCF) voltaram a crescer no 4T17 na base anual, o que não ocorria desde o 1T14, com alta de 3,8% ao ano. A FBCF registrou recuperação na margem ao longo de todo o ano de 2017, o que repercutiu melhora gradativa na importação e na produção de bens de capital, bem como evolução na produção de insumos de construção civil e de máquinas e equipamentos associados ao setor. Tal evolução, em conjunto com indicadores de confiança de empresários, sugere que os investimentos continuarão reagindo após a forte retração de 2014 a 2016.

Por fim, a taxa de desemprego, divulgada pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua – IBGE), atingiu 11,8% no último trimestre de 2017, após superar 13,5% durante o ano. Embora a redução da taxa de desocupação reflita em boa parte um aumento de ocupados em categorias informais, revela também reversão expressiva na dinâmica de criação de empregos no mercado formal. Quanto à renda do trabalhador, a queda da inflação em curso segue favorecendo a recuperação gradual de seu poder aquisitivo. De acordo com dados da PNAD Contínua, o rendimento médio real habitual de todos os trabalhos aumentou 1,6% no 4T17 ante o 4T16, e a massa salarial cresceu 3,6% nessa mesma comparação.

CRÉDITO

O saldo total das operações de crédito do Sistema Financeiro Nacional (SFN) declinou 0,6% em 2017, após recuo nominal de 3,5% em 2016.

Em 2017, as variações foram de -3,0% no crédito direcionado e +1,7% no crédito livre, este basicamente por conta do desempenho do segmento de pessoas físicas (PF), com +5,2%, ante queda no segmento de pessoas jurídicas (PJ), (-2,0%). No crédito direcionado, o saldo de PF cresceu (+6,2%), enquanto de PJ recuou (-11,6%).

De modo geral, a carteira de PF seguiu mostrando maior dinamismo ao longo do ano, em contexto de melhora gradativa do mercado de trabalho, forte redução da inflação e dos juros, importante desalavancagem de dívidas das famílias e consequente recuperação gradual do consumo e do varejo.

Destacaram-se na evolução do saldo de crédito às pessoas físicas em 2017: o aumento no saldo de empréstimos no crédito consignado (+7,9%), aquisição de veículos (+4,3%), cartão de crédito à vista (+11,8%), financiamento imobiliário (+5,7%) e crédito rural (+8,4%). Já os saldos de cheque especial (-6,9%) e de cartão de crédito rotativo (-14%) recuaram.

Em 2017, o crédito bancário às pessoas jurídicas sofreu com a ociosidade ainda elevada na indústria, com a recuperação mais lenta dos investimentos e com o processo mais demorado de desalavancagem e restruturação das dívidas das empresas. Vale citar, porém, que boa parte da queda foi compensada pelo grande aumento de captações no mercado de capitais, consideradas tanto as emissões domésticas quanto externas.

Como destaques ainda positivos no crédito bancário às pessoas jurídicas, ressaltam-se: crescimento dos saldos nas modalidades de desconto de duplicatas (+51,1%), antecipação de recebíveis de cartão (+555,7%) e financiamento a importações (+9,3%) e exportações (+2,7%). Entretanto, houve forte queda em modalidades muito representativas, como capital de giro (-8,8%), conta garantida (-11,7%) e repasse externo (-7,0%), o que puxou o crédito à pessoa jurídica com recursos livres para o terreno negativo. Nas modalidades direcionadas, houve retração do crédito rural (-16,9%), de financiamentos imobiliários (-16,2%) e do saldo do BNDES (-11,8%), impactado por liquidações de operações e pelas novas políticas da instituição.

Crédito rural

Em relação ao segmento de crédito rural, no ano agrícola 2016/2017 (1º de julho de 2016 a 30 de junho e 2017), segundo dados do BACEN, o número total de operações contratadas foi de R$ 2,10 milhões, ante R$ 2,33 milhões na safra anterior.

Quanto ao volume financeiro da safra 2016/2017, o montante foi de R$ 153,5 bilhões, ante R$ 165,8 bilhões em 2015/2016, dos quais a maior parte foi destinada a operações de custeio (59,6%) e de investimento (23,1%).

É importante destacar a tendência de crescimento no volume de recursos oriundos da emissão de Letras de Crédito do Agronegócio (LCA). Na safra 2016/2017, esses títulos representaram 11,2% do total de operações contratadas (R$ 17,1 bilhões), ante 8,1% do período anterior (R$ 13,4 bilhões).

Cabe salientar que, desde o ano agrícola 2015/2016, passou a vigorar o direcionamento dos recursos captados pela emissão de LCA para o financiamento da agricultura.

Ainda assim, a maior parcela dos volumes (R$ 48,3 bilhões ou 31,5% do total) provém dos recursos obrigatórios, com taxas de juros fixas estabelecidas para o financiamento. O saldo total da carteira de crédito rural, em julho de 2017, foi R$ 241,8 bilhões, ante R$ 234,0 bilhões em julho de 2016.

JUROS E SPREAD

A taxa média de juros das operações de crédito ficou em 25,6% ao ano no fim de 2017, recuo de 6,6 pontos percentuais (p.p.) em relação ao ano anterior, em linha com o ciclo da política monetária e queda da Selic. Houve redução de 11,9 p.p. no segmento de recursos livres e de 1,5 p.p. no âmbito das operações com recursos direcionados. Destaca-se, no crédito livre, a queda de 17,3 p.p. nas taxas para pessoa física e de -6,6 p.p. para pessoa jurídica.

Vale lembrar que o BC divulga, desde abril de 2017 (com dados desde 2013), o Indicador de Custo do Crédito (ICC), que permite avaliar o custo médio considerando o efeito das taxas contratadas no passado. Por razões metodológicas, a taxa de juros no crédito com recursos livres é muito impactada por modalidades com prazos de vencimento diferentes.

Portanto, para uma visão mais completa do custo do crédito e dos spreads bancários, devem-se combinar taxas, concessões, saldos e prazos das operações. O ICC é a medida mais exata para base de cálculo.

Considerando-se as medidas do ICC no fim de 2017, o spread do crédito livre para pessoa física ficou em 37,0% a.a. e para pessoa jurídica, em 12,8% a.a. Já no direcionado, o spread para PF ficou em 3,3% a.a. e 3,6% a.a. para PJ.

TAXA DE INADIMPLÊNCIA E ENDIVIDAMENTO

Em 2017, a inadimplência (acima de 90 dias) da carteira de PJ apresentou recuo de 3,5% para 2,9% e a carteira de PF, de 3,9% para 3,5%. A taxa total passou de 3,7% para 3,2%.

Os atrasos (de 15 a 90 dias) também diminuíram em relação a dezembro de 2016, de 4,5% para 4,4% no total, e alcançaram 2,2% em pessoas jurídicas (-0,9 p.p.) e 6,3% em pessoas físicas (+0,5 p.p.).

Observa-se que atrasos e inadimplência no crédito registraram alta entre 2015 e meados de 2017, momento mais agudo da recessão econômica, com níveis historicamente elevados. A reversão a partir de 2017 confirmou-se ao longo do ano, com a retomada gradual do crescimento do varejo e da indústria.

Taxa de inadimplência e endividamento
Taxa de inadimplência e endividamento
CAPTAÇÃO DE RECURSOS

O sistema bancário segue contando com recursos estáveis em volume suficiente para financiar suas atividades, tanto de curto como de longo prazo.

A estrutura de captação dos bancos brasileiros não sofreu grande alteração em 2017, sendo ainda predominantemente via depósitos a prazo, de poupança e à vista, que respondem por pouco mais de 30% do total captado, bem como emissão de letras financeiras, imobiliárias e do agronegócio, além de repasses do BNDES e captações no mercado aberto.

Em 2017, houve continuidade do processo de migração das operações compromissadas, sobretudo dos depósitos a prazo, como efeito da Resolução 4.527/2016, que vedou a realização, a prorrogação ou a renovação de operações compromissadas com títulos de emissão ou o aceite de instituições ligadas ou integrantes do mesmo conglomerado prudencial.

Essa categoria apresentou crescimento de 19,4% em relação a 2016, ante +13,6% no ano anterior. Adicionalmente, o movimento de redução da taxa básica de juros da economia favoreceu a recuperação da captação de recursos via poupança, com elevação de 9% em 2017, ante +1,3% no período anterior.

Volume de captações (R$ bilhões)
Volume de captações Fonte: Banco Central do Brasil.
MARGEM DE JUROS (CRÉDITO E TÍTULOS)

Segundo o Relatório de Estabilidade Financeira do Banco Central do Brasil, de dezembro de 2017, a margem bruta de juros – que representa a diferença entre o retorno da carteira de crédito e títulos e o custo de captação – manteve-se praticamente estável ao longo do segundo semestre.

Apesar da redução da rentabilidade das operações de crédito, decorrente de menores taxas cobradas nas novas operações em consonância com a redução da taxa Selic, esse efeito é mais do que compensado pela redução dos custos de captação, o que resultou algum ganho na margem bruta de crédito.

Entretanto, ao considerar a margem bruta de juros mais abrangente (crédito mais títulos), a queda do spread na intermediação de títulos e valores mobiliários praticamente anula esse ganho.

Margem de juros (crédito e títulos) – %
Margem de juros (crédito e títulos)
RESILIÊNCIA DO SETOR BANCÁRIO – ÍNDICE DE BASILEIA

A estabilidade financeira depende da resiliência das instituições para absorver riscos e choques. Nesse sentido, o sistema bancário apresenta sólidos índices de capitalização e baixa alavancagem, tanto em relação à regulação atual quanto às regras de Basileia III.

Em 2017, o sistema bancário operou com índices de capital bastante superiores aos requerimentos regulatórios, mesmo ao se considerar o ambiente econômico adverso no ano, refletido no desempenho dos indicadores de rentabilidade.

O Índice de Basileia (Capital Total) dos bancos brasileiros teve elevação, em 2017, de 17,4% para 18,2%, o que confirma a adaptação dos bancos brasileiros aos novos requisitos prudenciais de Basileia III, cujo cronograma se estende até 2022.

No que se refere ao Capital Principal, de maior qualidade, os bancos registraram índice de 13,52% em dezembro de 2017, ante 12,72% no mesmo mês de 2016, o que também reforça a solidez dessas instituições.

Evolução do Índice de Basileia
Evolução do Índice de Basileia Fonte: Banco Central do Brasil.
* Conforme segmentação BACEN – B1 e B2.
FEBRABAN - Dinâmica do Setor Bancário 2017

PARTE I

DINÂMICA DO SETOR BANCÁRIO 2017

PATRIMÔNIO LÍQUIDO DO SETOR BANCÁRIO (R$ BILHÕES)*

Patrimônio líquido do setor bancário * Valores revistos para critérios de segmentação B1 e B2 do BACEN.

INVESTIMENTO EM TECNOLOGIA (R$ BILHÕES)

Investimento em tecnologia

LUCRO LÍQUIDO DO SETOR BANCÁRIO (R$ BILHÕES)*

Lucro líquido do setor bancário * Valores revistos para critérios de segmentação B1 e B2 do BACEN.

RETORNO SOBRE PATRIMÔNIO LÍQUIDO DO SETOR BANCÁRIO (%)

Retorno sobre patrimônio líquido do setor bancário

TRANSAÇÕES EM CANAIS DIGITAIS (BILHÕES)

Transações em canais digitais

BOLETOS ELETRÔNICOS ACUMULADOS NO DDA (BILHÕES)

Boletos eletrônicos acumulados no DDA
OPERAÇÕES DE CRÉDITO (R$ TRILHÕES)
Operações de crédito
TRANSAÇÕES COM CARTÕES DE CRÉDITO E DÉBITO (BILHÕES)
Transações com cartão de crédito e débito
VALOR DAS TRANSAÇÕES COM CARTÕES DE CRÉDITO E DÉBITO (R$ BILHÕES)*
Valor das transações com cartões de crédito e débito * Valores dos anos anteriores foram revistos pela Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (ABECS).
CONSUMIDORES COM RELACIONAMENTOS ATIVOS NO SISTEMA (MILHÕES)
Consumidores com relacionamentos ativos no sistema
CENÁRIO ECONÔMICO

Em 2017, a atividade econômica no País seguiu em trajetória de retomada gradual, evidenciada por quatro aumentos trimestrais consecutivos do PIB na margem, e encerrou com crescimento de 1,0% após dois anos de forte retração.

Considerado esse contexto e as perspectivas mais positivas em relação à continuidade da recuperação, as projeções de mercado para o crescimento anual do PIB em 2018 e 2019 situam-se em torno de 2,75% ao ano, o que traduz perspectivas mais favoráveis no médio prazo.

Do lado da oferta, destaca-se o resultado positivo da indústria de transformação, que aumentou 2,4% no último ano após recuar 17% no acumulado de 2014 a 2016, segundo a Pesquisa Industrial Mensal (PIM-IBGE). Também impulsionaram o PIB de 2017 os setores da agropecuária, com alta de 13%; e de serviços, ainda que modestamente, com avanço de 0,3%. O comércio varejista ampliado (inclui as vendas de veículos e de materiais de construção) cresceu 4%, primeira alta desde 2013, segundo Pesquisa Comercial Mensal (PMC-IBGE).

No âmbito da demanda, destacou-se a melhora consistente do consumo das famílias, com elevação de 1% no PIB de 2017. A evolução do consumo evidencia principalmente o aumento gradual do poder de compra, impulsionado por redução da inflação, condições mais favoráveis no mercado de trabalho e no crédito e liberações extraordinárias de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

Ainda em relação à demanda, os investimentos (Formação Bruta de Capital Fixo – FBCF) voltaram a crescer no 4T17 na base anual, o que não ocorria desde o 1T14, com alta de 3,8% ao ano. A FBCF registrou recuperação na margem ao longo de todo o ano de 2017, o que repercutiu melhora gradativa na importação e na produção de bens de capital, bem como evolução na produção de insumos de construção civil e de máquinas e equipamentos associados ao setor. Tal evolução, em conjunto com indicadores de confiança de empresários, sugere que os investimentos continuarão reagindo após a forte retração de 2014 a 2016.

Por fim, a taxa de desemprego, divulgada pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua – IBGE), atingiu 11,8% no último trimestre de 2017, após superar 13,5% durante o ano. Embora a redução da taxa de desocupação reflita em boa parte um aumento de ocupados em categorias informais, revela também reversão expressiva na dinâmica de criação de empregos no mercado formal. Quanto à renda do trabalhador, a queda da inflação em curso segue favorecendo a recuperação gradual de seu poder aquisitivo. De acordo com dados da PNAD Contínua, o rendimento médio real habitual de todos os trabalhos aumentou 1,6% no 4T17 ante o 4T16, e a massa salarial cresceu 3,6% nessa mesma comparação.

CRÉDITO

O saldo total das operações de crédito do Sistema Financeiro Nacional (SFN) declinou 0,6% em 2017, após recuo nominal de 3,5% em 2016.

Em 2017, as variações foram de -3,0% no crédito direcionado e +1,7% no crédito livre, este basicamente por conta do desempenho do segmento de pessoas físicas (PF), com +5,2%, ante queda no segmento de pessoas jurídicas (PJ), (-2,0%). No crédito direcionado, o saldo de PF cresceu (+6,2%), enquanto de PJ recuou (-11,6%).

De modo geral, a carteira de PF seguiu mostrando maior dinamismo ao longo do ano, em contexto de melhora gradativa do mercado de trabalho, forte redução da inflação e dos juros, importante desalavancagem de dívidas das famílias e consequente recuperação gradual do consumo e do varejo.

Destacaram-se na evolução do saldo de crédito às pessoas físicas em 2017: o aumento no saldo de empréstimos no crédito consignado (+7,9%), aquisição de veículos (+4,3%), cartão de crédito à vista (+11,8%), financiamento imobiliário (+5,7%) e crédito rural (+8,4%). Já os saldos de cheque especial (-6,9%) e de cartão de crédito rotativo (-14%) recuaram.

Em 2017, o crédito bancário às pessoas jurídicas sofreu com a ociosidade ainda elevada na indústria, com a recuperação mais lenta dos investimentos e com o processo mais demorado de desalavancagem e restruturação das dívidas das empresas. Vale citar, porém, que boa parte da queda foi compensada pelo grande aumento de captações no mercado de capitais, consideradas tanto as emissões domésticas quanto externas.

Como destaques ainda positivos no crédito bancário às pessoas jurídicas, ressaltam-se: crescimento dos saldos nas modalidades de desconto de duplicatas (+51,1%), antecipação de recebíveis de cartão (+555,7%) e financiamento a importações (+9,3%) e exportações (+2,7%). Entretanto, houve forte queda em modalidades muito representativas, como capital de giro (-8,8%), conta garantida (-11,7%) e repasse externo (-7,0%), o que puxou o crédito à pessoa jurídica com recursos livres para o terreno negativo. Nas modalidades direcionadas, houve retração do crédito rural (-16,9%), de financiamentos imobiliários (-16,2%) e do saldo do BNDES (-11,8%), impactado por liquidações de operações e pelas novas políticas da instituição.

Crédito rural

Em relação ao segmento de crédito rural, no ano agrícola 2016/2017 (1º de julho de 2016 a 30 de junho e 2017), segundo dados do BACEN, o número total de operações contratadas foi de R$ 2,10 milhões, ante R$ 2,33 milhões na safra anterior.

Quanto ao volume financeiro da safra 2016/2017, o montante foi de R$ 153,5 bilhões, ante R$ 165,8 bilhões em 2015/2016, dos quais a maior parte foi destinada a operações de custeio (59,6%) e de investimento (23,1%).

É importante destacar a tendência de crescimento no volume de recursos oriundos da emissão de Letras de Crédito do Agronegócio (LCA). Na safra 2016/2017, esses títulos representaram 11,2% do total de operações contratadas (R$ 17,1 bilhões), ante 8,1% do período anterior (R$ 13,4 bilhões).

Cabe salientar que, desde o ano agrícola 2015/2016, passou a vigorar o direcionamento dos recursos captados pela emissão de LCA para o financiamento da agricultura.

Ainda assim, a maior parcela dos volumes (R$ 48,3 bilhões ou 31,5% do total) provém dos recursos obrigatórios, com taxas de juros fixas estabelecidas para o financiamento. O saldo total da carteira de crédito rural, em julho de 2017, foi R$ 241,8 bilhões, ante R$ 234,0 bilhões em julho de 2016.

JUROS E SPREAD

A taxa média de juros das operações de crédito ficou em 25,6% ao ano no fim de 2017, recuo de 6,6 pontos percentuais (p.p.) em relação ao ano anterior, em linha com o ciclo da política monetária e queda da Selic. Houve redução de 11,9 p.p. no segmento de recursos livres e de 1,5 p.p. no âmbito das operações com recursos direcionados. Destaca-se, no crédito livre, a queda de 17,3 p.p. nas taxas para pessoa física e de -6,6 p.p. para pessoa jurídica.

Vale lembrar que o BC divulga, desde abril de 2017 (com dados desde 2013), o Indicador de Custo do Crédito (ICC), que permite avaliar o custo médio considerando o efeito das taxas contratadas no passado. Por razões metodológicas, a taxa de juros no crédito com recursos livres é muito impactada por modalidades com prazos de vencimento diferentes.

Portanto, para uma visão mais completa do custo do crédito e dos spreads bancários, devem-se combinar taxas, concessões, saldos e prazos das operações. O ICC é a medida mais exata para base de cálculo.

Considerando-se as medidas do ICC no fim de 2017, o spread do crédito livre para pessoa física ficou em 37,0% a.a. e para pessoa jurídica, em 12,8% a.a. Já no direcionado, o spread para PF ficou em 3,3% a.a. e 3,6% a.a. para PJ.

TAXA DE INADIMPLÊNCIA E ENDIVIDAMENTO

Em 2017, a inadimplência (acima de 90 dias) da carteira de PJ apresentou recuo de 3,5% para 2,9% e a carteira de PF, de 3,9% para 3,5%. A taxa total passou de 3,7% para 3,2%.

Os atrasos (de 15 a 90 dias) também diminuíram em relação a dezembro de 2016, de 4,5% para 4,4% no total, e alcançaram 2,2% em pessoas jurídicas (-0,9 p.p.) e 6,3% em pessoas físicas (+0,5 p.p.).

Observa-se que atrasos e inadimplência no crédito registraram alta entre 2015 e meados de 2017, momento mais agudo da recessão econômica, com níveis historicamente elevados. A reversão a partir de 2017 confirmou-se ao longo do ano, com a retomada gradual do crescimento do varejo e da indústria.

Taxa de inadimplência e endividamento
Taxa de inadimplência e endividamento
CAPTAÇÃO DE RECURSOS

O sistema bancário segue contando com recursos estáveis em volume suficiente para financiar suas atividades, tanto de curto como de longo prazo.

A estrutura de captação dos bancos brasileiros não sofreu grande alteração em 2017, sendo ainda predominantemente via depósitos a prazo, de poupança e à vista, que respondem por pouco mais de 30% do total captado, bem como emissão de letras financeiras, imobiliárias e do agronegócio, além de repasses do BNDES e captações no mercado aberto.

Em 2017, houve continuidade do processo de migração das operações compromissadas, sobretudo dos depósitos a prazo, como efeito da Resolução 4.527/2016, que vedou a realização, a prorrogação ou a renovação de operações compromissadas com títulos de emissão ou o aceite de instituições ligadas ou integrantes do mesmo conglomerado prudencial.

Essa categoria apresentou crescimento de 19,4% em relação a 2016, ante +13,6% no ano anterior. Adicionalmente, o movimento de redução da taxa básica de juros da economia favoreceu a recuperação da captação de recursos via poupança, com elevação de 9% em 2017, ante +1,3% no período anterior.

Volume de captações (R$ bilhões)
Volume de captações Fonte: Banco Central do Brasil.
MARGEM DE JUROS (CRÉDITO E TÍTULOS)

Segundo o Relatório de Estabilidade Financeira do Banco Central do Brasil, de dezembro de 2017, a margem bruta de juros – que representa a diferença entre o retorno da carteira de crédito e títulos e o custo de captação – manteve-se praticamente estável ao longo do segundo semestre.

Apesar da redução da rentabilidade das operações de crédito, decorrente de menores taxas cobradas nas novas operações em consonância com a redução da taxa Selic, esse efeito é mais do que compensado pela redução dos custos de captação, o que resultou algum ganho na margem bruta de crédito.

Entretanto, ao considerar a margem bruta de juros mais abrangente (crédito mais títulos), a queda do spread na intermediação de títulos e valores mobiliários praticamente anula esse ganho.

Margem de juros (crédito e títulos) – %
Margem de juros (crédito e títulos)
RESILIÊNCIA DO SETOR BANCÁRIO – ÍNDICE DE BASILEIA

A estabilidade financeira depende da resiliência das instituições para absorver riscos e choques. Nesse sentido, o sistema bancário apresenta sólidos índices de capitalização e baixa alavancagem, tanto em relação à regulação atual quanto às regras de Basileia III.

Em 2017, o sistema bancário operou com índices de capital bastante superiores aos requerimentos regulatórios, mesmo ao se considerar o ambiente econômico adverso no ano, refletido no desempenho dos indicadores de rentabilidade.

O Índice de Basileia (Capital Total) dos bancos brasileiros teve elevação, em 2017, de 17,4% para 18,2%, o que confirma a adaptação dos bancos brasileiros aos novos requisitos prudenciais de Basileia III, cujo cronograma se estende até 2022.

No que se refere ao Capital Principal, de maior qualidade, os bancos registraram índice de 13,52% em dezembro de 2017, ante 12,72% no mesmo mês de 2016, o que também reforça a solidez dessas instituições.

Evolução do Índice de Basileia
Evolução do Índice de Basileia Fonte: Banco Central do Brasil.
* Conforme segmentação BACEN – B1 e B2.
FEBRABAN - Dinâmica do Setor Bancário 2017

PARTE I

DINÂMICA DO SETOR BANCÁRIO 2017

PATRIMÔNIO LÍQUIDO DO SETOR BANCÁRIO (R$ BILHÕES)*

Patrimônio líquido do setor bancário * Valores revistos para critérios de segmentação B1 e B2 do BACEN.

INVESTIMENTO EM TECNOLOGIA (R$ BILHÕES)

Investimento em tecnologia

LUCRO LÍQUIDO DO SETOR BANCÁRIO (R$ BILHÕES)*

Lucro líquido do setor bancário * Valores revistos para critérios de segmentação B1 e B2 do BACEN.

RETORNO SOBRE PATRIMÔNIO LÍQUIDO DO SETOR BANCÁRIO (%)

Retorno sobre patrimônio líquido do setor bancário

TRANSAÇÕES EM CANAIS DIGITAIS (BILHÕES)

Transações em canais digitais

BOLETOS ELETRÔNICOS ACUMULADOS NO DDA (BILHÕES)

Boletos eletrônicos acumulados no DDA
OPERAÇÕES DE CRÉDITO (R$ TRILHÕES)
Operações de crédito
TRANSAÇÕES COM CARTÕES DE CRÉDITO E DÉBITO (BILHÕES)
Transações com cartão de crédito e débito
VALOR DAS TRANSAÇÕES COM CARTÕES DE CRÉDITO E DÉBITO (R$ BILHÕES)*
Valor das transações com cartões de crédito e débito * Valores dos anos anteriores foram revistos pela Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (ABECS).
CONSUMIDORES COM RELACIONAMENTOS ATIVOS NO SISTEMA (MILHÕES)
Consumidores com relacionamentos ativos no sistema
CENÁRIO ECONÔMICO

Em 2017, a atividade econômica no País seguiu em trajetória de retomada gradual, evidenciada por quatro aumentos trimestrais consecutivos do PIB na margem, e encerrou com crescimento de 1,0% após dois anos de forte retração.

Considerado esse contexto e as perspectivas mais positivas em relação à continuidade da recuperação, as projeções de mercado para o crescimento anual do PIB em 2018 e 2019 situam-se em torno de 2,75% ao ano, o que traduz perspectivas mais favoráveis no médio prazo.

Do lado da oferta, destaca-se o resultado positivo da indústria de transformação, que aumentou 2,4% no último ano após recuar 17% no acumulado de 2014 a 2016, segundo a Pesquisa Industrial Mensal (PIM-IBGE). Também impulsionaram o PIB de 2017 os setores da agropecuária, com alta de 13%; e de serviços, ainda que modestamente, com avanço de 0,3%. O comércio varejista ampliado (inclui as vendas de veículos e de materiais de construção) cresceu 4%, primeira alta desde 2013, segundo Pesquisa Comercial Mensal (PMC-IBGE).

No âmbito da demanda, destacou-se a melhora consistente do consumo das famílias, com elevação de 1% no PIB de 2017. A evolução do consumo evidencia principalmente o aumento gradual do poder de compra, impulsionado por redução da inflação, condições mais favoráveis no mercado de trabalho e no crédito e liberações extraordinárias de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

Ainda em relação à demanda, os investimentos (Formação Bruta de Capital Fixo – FBCF) voltaram a crescer no 4T17 na base anual, o que não ocorria desde o 1T14, com alta de 3,8% ao ano. A FBCF registrou recuperação na margem ao longo de todo o ano de 2017, o que repercutiu melhora gradativa na importação e na produção de bens de capital, bem como evolução na produção de insumos de construção civil e de máquinas e equipamentos associados ao setor. Tal evolução, em conjunto com indicadores de confiança de empresários, sugere que os investimentos continuarão reagindo após a forte retração de 2014 a 2016.

Por fim, a taxa de desemprego, divulgada pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua – IBGE), atingiu 11,8% no último trimestre de 2017, após superar 13,5% durante o ano. Embora a redução da taxa de desocupação reflita em boa parte um aumento de ocupados em categorias informais, revela também reversão expressiva na dinâmica de criação de empregos no mercado formal. Quanto à renda do trabalhador, a queda da inflação em curso segue favorecendo a recuperação gradual de seu poder aquisitivo. De acordo com dados da PNAD Contínua, o rendimento médio real habitual de todos os trabalhos aumentou 1,6% no 4T17 ante o 4T16, e a massa salarial cresceu 3,6% nessa mesma comparação.

CRÉDITO

O saldo total das operações de crédito do Sistema Financeiro Nacional (SFN) declinou 0,6% em 2017, após recuo nominal de 3,5% em 2016.

Em 2017, as variações foram de -3,0% no crédito direcionado e +1,7% no crédito livre, este basicamente por conta do desempenho do segmento de pessoas físicas (PF), com +5,2%, ante queda no segmento de pessoas jurídicas (PJ), (-2,0%). No crédito direcionado, o saldo de PF cresceu (+6,2%), enquanto de PJ recuou (-11,6%).

De modo geral, a carteira de PF seguiu mostrando maior dinamismo ao longo do ano, em contexto de melhora gradativa do mercado de trabalho, forte redução da inflação e dos juros, importante desalavancagem de dívidas das famílias e consequente recuperação gradual do consumo e do varejo.

Destacaram-se na evolução do saldo de crédito às pessoas físicas em 2017: o aumento no saldo de empréstimos no crédito consignado (+7,9%), aquisição de veículos (+4,3%), cartão de crédito à vista (+11,8%), financiamento imobiliário (+5,7%) e crédito rural (+8,4%). Já os saldos de cheque especial (-6,9%) e de cartão de crédito rotativo (-14%) recuaram.

Em 2017, o crédito bancário às pessoas jurídicas sofreu com a ociosidade ainda elevada na indústria, com a recuperação mais lenta dos investimentos e com o processo mais demorado de desalavancagem e restruturação das dívidas das empresas. Vale citar, porém, que boa parte da queda foi compensada pelo grande aumento de captações no mercado de capitais, consideradas tanto as emissões domésticas quanto externas.

Como destaques ainda positivos no crédito bancário às pessoas jurídicas, ressaltam-se: crescimento dos saldos nas modalidades de desconto de duplicatas (+51,1%), antecipação de recebíveis de cartão (+555,7%) e financiamento a importações (+9,3%) e exportações (+2,7%). Entretanto, houve forte queda em modalidades muito representativas, como capital de giro (-8,8%), conta garantida (-11,7%) e repasse externo (-7,0%), o que puxou o crédito à pessoa jurídica com recursos livres para o terreno negativo. Nas modalidades direcionadas, houve retração do crédito rural (-16,9%), de financiamentos imobiliários (-16,2%) e do saldo do BNDES (-11,8%), impactado por liquidações de operações e pelas novas políticas da instituição.

Crédito rural

Em relação ao segmento de crédito rural, no ano agrícola 2016/2017 (1º de julho de 2016 a 30 de junho e 2017), segundo dados do BACEN, o número total de operações contratadas foi de R$ 2,10 milhões, ante R$ 2,33 milhões na safra anterior.

Quanto ao volume financeiro da safra 2016/2017, o montante foi de R$ 153,5 bilhões, ante R$ 165,8 bilhões em 2015/2016, dos quais a maior parte foi destinada a operações de custeio (59,6%) e de investimento (23,1%).

É importante destacar a tendência de crescimento no volume de recursos oriundos da emissão de Letras de Crédito do Agronegócio (LCA). Na safra 2016/2017, esses títulos representaram 11,2% do total de operações contratadas (R$ 17,1 bilhões), ante 8,1% do período anterior (R$ 13,4 bilhões).

Cabe salientar que, desde o ano agrícola 2015/2016, passou a vigorar o direcionamento dos recursos captados pela emissão de LCA para o financiamento da agricultura.

Ainda assim, a maior parcela dos volumes (R$ 48,3 bilhões ou 31,5% do total) provém dos recursos obrigatórios, com taxas de juros fixas estabelecidas para o financiamento. O saldo total da carteira de crédito rural, em julho de 2017, foi R$ 241,8 bilhões, ante R$ 234,0 bilhões em julho de 2016.

JUROS E SPREAD

A taxa média de juros das operações de crédito ficou em 25,6% ao ano no fim de 2017, recuo de 6,6 pontos percentuais (p.p.) em relação ao ano anterior, em linha com o ciclo da política monetária e queda da Selic. Houve redução de 11,9 p.p. no segmento de recursos livres e de 1,5 p.p. no âmbito das operações com recursos direcionados. Destaca-se, no crédito livre, a queda de 17,3 p.p. nas taxas para pessoa física e de -6,6 p.p. para pessoa jurídica.

Vale lembrar que o BC divulga, desde abril de 2017 (com dados desde 2013), o Indicador de Custo do Crédito (ICC), que permite avaliar o custo médio considerando o efeito das taxas contratadas no passado. Por razões metodológicas, a taxa de juros no crédito com recursos livres é muito impactada por modalidades com prazos de vencimento diferentes.

Portanto, para uma visão mais completa do custo do crédito e dos spreads bancários, devem-se combinar taxas, concessões, saldos e prazos das operações. O ICC é a medida mais exata para base de cálculo.

Considerando-se as medidas do ICC no fim de 2017, o spread do crédito livre para pessoa física ficou em 37,0% a.a. e para pessoa jurídica, em 12,8% a.a. Já no direcionado, o spread para PF ficou em 3,3% a.a. e 3,6% a.a. para PJ.

TAXA DE INADIMPLÊNCIA E ENDIVIDAMENTO

Em 2017, a inadimplência (acima de 90 dias) da carteira de PJ apresentou recuo de 3,5% para 2,9% e a carteira de PF, de 3,9% para 3,5%. A taxa total passou de 3,7% para 3,2%.

Os atrasos (de 15 a 90 dias) também diminuíram em relação a dezembro de 2016, de 4,5% para 4,4% no total, e alcançaram 2,2% em pessoas jurídicas (-0,9 p.p.) e 6,3% em pessoas físicas (+0,5 p.p.).

Observa-se que atrasos e inadimplência no crédito registraram alta entre 2015 e meados de 2017, momento mais agudo da recessão econômica, com níveis historicamente elevados. A reversão a partir de 2017 confirmou-se ao longo do ano, com a retomada gradual do crescimento do varejo e da indústria.

Taxa de inadimplência e endividamento
Taxa de inadimplência e endividamento
CAPTAÇÃO DE RECURSOS

O sistema bancário segue contando com recursos estáveis em volume suficiente para financiar suas atividades, tanto de curto como de longo prazo.

A estrutura de captação dos bancos brasileiros não sofreu grande alteração em 2017, sendo ainda predominantemente via depósitos a prazo, de poupança e à vista, que respondem por pouco mais de 30% do total captado, bem como emissão de letras financeiras, imobiliárias e do agronegócio, além de repasses do BNDES e captações no mercado aberto.

Em 2017, houve continuidade do processo de migração das operações compromissadas, sobretudo dos depósitos a prazo, como efeito da Resolução 4.527/2016, que vedou a realização, a prorrogação ou a renovação de operações compromissadas com títulos de emissão ou o aceite de instituições ligadas ou integrantes do mesmo conglomerado prudencial.

Essa categoria apresentou crescimento de 19,4% em relação a 2016, ante +13,6% no ano anterior. Adicionalmente, o movimento de redução da taxa básica de juros da economia favoreceu a recuperação da captação de recursos via poupança, com elevação de 9% em 2017, ante +1,3% no período anterior.

Volume de captações (R$ bilhões)
Volume de captações Fonte: Banco Central do Brasil.
MARGEM DE JUROS (CRÉDITO E TÍTULOS)

Segundo o Relatório de Estabilidade Financeira do Banco Central do Brasil, de dezembro de 2017, a margem bruta de juros – que representa a diferença entre o retorno da carteira de crédito e títulos e o custo de captação – manteve-se praticamente estável ao longo do segundo semestre.

Apesar da redução da rentabilidade das operações de crédito, decorrente de menores taxas cobradas nas novas operações em consonância com a redução da taxa Selic, esse efeito é mais do que compensado pela redução dos custos de captação, o que resultou algum ganho na margem bruta de crédito.

Entretanto, ao considerar a margem bruta de juros mais abrangente (crédito mais títulos), a queda do spread na intermediação de títulos e valores mobiliários praticamente anula esse ganho.

Margem de juros (crédito e títulos) – %
Margem de juros (crédito e títulos)
RESILIÊNCIA DO SETOR BANCÁRIO – ÍNDICE DE BASILEIA

A estabilidade financeira depende da resiliência das instituições para absorver riscos e choques. Nesse sentido, o sistema bancário apresenta sólidos índices de capitalização e baixa alavancagem, tanto em relação à regulação atual quanto às regras de Basileia III.

Em 2017, o sistema bancário operou com índices de capital bastante superiores aos requerimentos regulatórios, mesmo ao se considerar o ambiente econômico adverso no ano, refletido no desempenho dos indicadores de rentabilidade.

O Índice de Basileia (Capital Total) dos bancos brasileiros teve elevação, em 2017, de 17,4% para 18,2%, o que confirma a adaptação dos bancos brasileiros aos novos requisitos prudenciais de Basileia III, cujo cronograma se estende até 2022.

No que se refere ao Capital Principal, de maior qualidade, os bancos registraram índice de 13,52% em dezembro de 2017, ante 12,72% no mesmo mês de 2016, o que também reforça a solidez dessas instituições.

Evolução do Índice de Basileia
Evolução do Índice de Basileia Fonte: Banco Central do Brasil.
* Conforme segmentação BACEN – B1 e B2.
FEBRABAN - Dinâmica do Setor Bancário 2017

PARTE I

DINÂMICA DO SETOR BANCÁRIO 2017

PATRIMÔNIO LÍQUIDO DO SETOR BANCÁRIO (R$ BILHÕES)*

Patrimônio líquido do setor bancário * Valores revistos para critérios de segmentação B1 e B2 do BACEN.

INVESTIMENTO EM TECNOLOGIA (R$ BILHÕES)

Investimento em tecnologia

LUCRO LÍQUIDO DO SETOR BANCÁRIO (R$ BILHÕES)*

Lucro líquido do setor bancário * Valores revistos para critérios de segmentação B1 e B2 do BACEN.

RETORNO SOBRE PATRIMÔNIO LÍQUIDO DO SETOR BANCÁRIO (%)

Retorno sobre patrimônio líquido do setor bancário

TRANSAÇÕES EM CANAIS DIGITAIS (BILHÕES)

Transações em canais digitais

BOLETOS ELETRÔNICOS ACUMULADOS NO DDA (BILHÕES)

Boletos eletrônicos acumulados no DDA
OPERAÇÕES DE CRÉDITO (R$ TRILHÕES)
Operações de crédito
TRANSAÇÕES COM CARTÕES DE CRÉDITO E DÉBITO (BILHÕES)
Transações com cartão de crédito e débito
VALOR DAS TRANSAÇÕES COM CARTÕES DE CRÉDITO E DÉBITO (R$ BILHÕES)*
Valor das transações com cartões de crédito e débito * Valores dos anos anteriores foram revistos pela Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (ABECS).
CONSUMIDORES COM RELACIONAMENTOS ATIVOS NO SISTEMA (MILHÕES)
Consumidores com relacionamentos ativos no sistema
CENÁRIO ECONÔMICO

Em 2017, a atividade econômica no País seguiu em trajetória de retomada gradual, evidenciada por quatro aumentos trimestrais consecutivos do PIB na margem, e encerrou com crescimento de 1,0% após dois anos de forte retração.

Considerado esse contexto e as perspectivas mais positivas em relação à continuidade da recuperação, as projeções de mercado para o crescimento anual do PIB em 2018 e 2019 situam-se em torno de 2,75% ao ano, o que traduz perspectivas mais favoráveis no médio prazo.

Do lado da oferta, destaca-se o resultado positivo da indústria de transformação, que aumentou 2,4% no último ano após recuar 17% no acumulado de 2014 a 2016, segundo a Pesquisa Industrial Mensal (PIM-IBGE). Também impulsionaram o PIB de 2017 os setores da agropecuária, com alta de 13%; e de serviços, ainda que modestamente, com avanço de 0,3%. O comércio varejista ampliado (inclui as vendas de veículos e de materiais de construção) cresceu 4%, primeira alta desde 2013, segundo Pesquisa Comercial Mensal (PMC-IBGE).

No âmbito da demanda, destacou-se a melhora consistente do consumo das famílias, com elevação de 1% no PIB de 2017. A evolução do consumo evidencia principalmente o aumento gradual do poder de compra, impulsionado por redução da inflação, condições mais favoráveis no mercado de trabalho e no crédito e liberações extraordinárias de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

Ainda em relação à demanda, os investimentos (Formação Bruta de Capital Fixo – FBCF) voltaram a crescer no 4T17 na base anual, o que não ocorria desde o 1T14, com alta de 3,8% ao ano. A FBCF registrou recuperação na margem ao longo de todo o ano de 2017, o que repercutiu melhora gradativa na importação e na produção de bens de capital, bem como evolução na produção de insumos de construção civil e de máquinas e equipamentos associados ao setor. Tal evolução, em conjunto com indicadores de confiança de empresários, sugere que os investimentos continuarão reagindo após a forte retração de 2014 a 2016.

Por fim, a taxa de desemprego, divulgada pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua – IBGE), atingiu 11,8% no último trimestre de 2017, após superar 13,5% durante o ano. Embora a redução da taxa de desocupação reflita em boa parte um aumento de ocupados em categorias informais, revela também reversão expressiva na dinâmica de criação de empregos no mercado formal. Quanto à renda do trabalhador, a queda da inflação em curso segue favorecendo a recuperação gradual de seu poder aquisitivo. De acordo com dados da PNAD Contínua, o rendimento médio real habitual de todos os trabalhos aumentou 1,6% no 4T17 ante o 4T16, e a massa salarial cresceu 3,6% nessa mesma comparação.

CRÉDITO

O saldo total das operações de crédito do Sistema Financeiro Nacional (SFN) declinou 0,6% em 2017, após recuo nominal de 3,5% em 2016.

Em 2017, as variações foram de -3,0% no crédito direcionado e +1,7% no crédito livre, este basicamente por conta do desempenho do segmento de pessoas físicas (PF), com +5,2%, ante queda no segmento de pessoas jurídicas (PJ), (-2,0%). No crédito direcionado, o saldo de PF cresceu (+6,2%), enquanto de PJ recuou (-11,6%).

De modo geral, a carteira de PF seguiu mostrando maior dinamismo ao longo do ano, em contexto de melhora gradativa do mercado de trabalho, forte redução da inflação e dos juros, importante desalavancagem de dívidas das famílias e consequente recuperação gradual do consumo e do varejo.

Destacaram-se na evolução do saldo de crédito às pessoas físicas em 2017: o aumento no saldo de empréstimos no crédito consignado (+7,9%), aquisição de veículos (+4,3%), cartão de crédito à vista (+11,8%), financiamento imobiliário (+5,7%) e crédito rural (+8,4%). Já os saldos de cheque especial (-6,9%) e de cartão de crédito rotativo (-14%) recuaram.

Em 2017, o crédito bancário às pessoas jurídicas sofreu com a ociosidade ainda elevada na indústria, com a recuperação mais lenta dos investimentos e com o processo mais demorado de desalavancagem e restruturação das dívidas das empresas. Vale citar, porém, que boa parte da queda foi compensada pelo grande aumento de captações no mercado de capitais, consideradas tanto as emissões domésticas quanto externas.

Como destaques ainda positivos no crédito bancário às pessoas jurídicas, ressaltam-se: crescimento dos saldos nas modalidades de desconto de duplicatas (+51,1%), antecipação de recebíveis de cartão (+555,7%) e financiamento a importações (+9,3%) e exportações (+2,7%). Entretanto, houve forte queda em modalidades muito representativas, como capital de giro (-8,8%), conta garantida (-11,7%) e repasse externo (-7,0%), o que puxou o crédito à pessoa jurídica com recursos livres para o terreno negativo. Nas modalidades direcionadas, houve retração do crédito rural (-16,9%), de financiamentos imobiliários (-16,2%) e do saldo do BNDES (-11,8%), impactado por liquidações de operações e pelas novas políticas da instituição.

Crédito rural

Em relação ao segmento de crédito rural, no ano agrícola 2016/2017 (1º de julho de 2016 a 30 de junho e 2017), segundo dados do BACEN, o número total de operações contratadas foi de R$ 2,10 milhões, ante R$ 2,33 milhões na safra anterior.

Quanto ao volume financeiro da safra 2016/2017, o montante foi de R$ 153,5 bilhões, ante R$ 165,8 bilhões em 2015/2016, dos quais a maior parte foi destinada a operações de custeio (59,6%) e de investimento (23,1%).

É importante destacar a tendência de crescimento no volume de recursos oriundos da emissão de Letras de Crédito do Agronegócio (LCA). Na safra 2016/2017, esses títulos representaram 11,2% do total de operações contratadas (R$ 17,1 bilhões), ante 8,1% do período anterior (R$ 13,4 bilhões).

Cabe salientar que, desde o ano agrícola 2015/2016, passou a vigorar o direcionamento dos recursos captados pela emissão de LCA para o financiamento da agricultura.

Ainda assim, a maior parcela dos volumes (R$ 48,3 bilhões ou 31,5% do total) provém dos recursos obrigatórios, com taxas de juros fixas estabelecidas para o financiamento. O saldo total da carteira de crédito rural, em julho de 2017, foi R$ 241,8 bilhões, ante R$ 234,0 bilhões em julho de 2016.

JUROS E SPREAD

A taxa média de juros das operações de crédito ficou em 25,6% ao ano no fim de 2017, recuo de 6,6 pontos percentuais (p.p.) em relação ao ano anterior, em linha com o ciclo da política monetária e queda da Selic. Houve redução de 11,9 p.p. no segmento de recursos livres e de 1,5 p.p. no âmbito das operações com recursos direcionados. Destaca-se, no crédito livre, a queda de 17,3 p.p. nas taxas para pessoa física e de -6,6 p.p. para pessoa jurídica.

Vale lembrar que o BC divulga, desde abril de 2017 (com dados desde 2013), o Indicador de Custo do Crédito (ICC), que permite avaliar o custo médio considerando o efeito das taxas contratadas no passado. Por razões metodológicas, a taxa de juros no crédito com recursos livres é muito impactada por modalidades com prazos de vencimento diferentes.

Portanto, para uma visão mais completa do custo do crédito e dos spreads bancários, devem-se combinar taxas, concessões, saldos e prazos das operações. O ICC é a medida mais exata para base de cálculo.

Considerando-se as medidas do ICC no fim de 2017, o spread do crédito livre para pessoa física ficou em 37,0% a.a. e para pessoa jurídica, em 12,8% a.a. Já no direcionado, o spread para PF ficou em 3,3% a.a. e 3,6% a.a. para PJ.

TAXA DE INADIMPLÊNCIA E ENDIVIDAMENTO

Em 2017, a inadimplência (acima de 90 dias) da carteira de PJ apresentou recuo de 3,5% para 2,9% e a carteira de PF, de 3,9% para 3,5%. A taxa total passou de 3,7% para 3,2%.

Os atrasos (de 15 a 90 dias) também diminuíram em relação a dezembro de 2016, de 4,5% para 4,4% no total, e alcançaram 2,2% em pessoas jurídicas (-0,9 p.p.) e 6,3% em pessoas físicas (+0,5 p.p.).

Observa-se que atrasos e inadimplência no crédito registraram alta entre 2015 e meados de 2017, momento mais agudo da recessão econômica, com níveis historicamente elevados. A reversão a partir de 2017 confirmou-se ao longo do ano, com a retomada gradual do crescimento do varejo e da indústria.

Taxa de inadimplência e endividamento
Taxa de inadimplência e endividamento
CAPTAÇÃO DE RECURSOS

O sistema bancário segue contando com recursos estáveis em volume suficiente para financiar suas atividades, tanto de curto como de longo prazo.

A estrutura de captação dos bancos brasileiros não sofreu grande alteração em 2017, sendo ainda predominantemente via depósitos a prazo, de poupança e à vista, que respondem por pouco mais de 30% do total captado, bem como emissão de letras financeiras, imobiliárias e do agronegócio, além de repasses do BNDES e captações no mercado aberto.

Em 2017, houve continuidade do processo de migração das operações compromissadas, sobretudo dos depósitos a prazo, como efeito da Resolução 4.527/2016, que vedou a realização, a prorrogação ou a renovação de operações compromissadas com títulos de emissão ou o aceite de instituições ligadas ou integrantes do mesmo conglomerado prudencial.

Essa categoria apresentou crescimento de 19,4% em relação a 2016, ante +13,6% no ano anterior. Adicionalmente, o movimento de redução da taxa básica de juros da economia favoreceu a recuperação da captação de recursos via poupança, com elevação de 9% em 2017, ante +1,3% no período anterior.

Volume de captações (R$ bilhões)
Volume de captações Fonte: Banco Central do Brasil.
MARGEM DE JUROS (CRÉDITO E TÍTULOS)

Segundo o Relatório de Estabilidade Financeira do Banco Central do Brasil, de dezembro de 2017, a margem bruta de juros – que representa a diferença entre o retorno da carteira de crédito e títulos e o custo de captação – manteve-se praticamente estável ao longo do segundo semestre.

Apesar da redução da rentabilidade das operações de crédito, decorrente de menores taxas cobradas nas novas operações em consonância com a redução da taxa Selic, esse efeito é mais do que compensado pela redução dos custos de captação, o que resultou algum ganho na margem bruta de crédito.

Entretanto, ao considerar a margem bruta de juros mais abrangente (crédito mais títulos), a queda do spread na intermediação de títulos e valores mobiliários praticamente anula esse ganho.

Margem de juros (crédito e títulos) – %
Margem de juros (crédito e títulos)
RESILIÊNCIA DO SETOR BANCÁRIO – ÍNDICE DE BASILEIA

A estabilidade financeira depende da resiliência das instituições para absorver riscos e choques. Nesse sentido, o sistema bancário apresenta sólidos índices de capitalização e baixa alavancagem, tanto em relação à regulação atual quanto às regras de Basileia III.

Em 2017, o sistema bancário operou com índices de capital bastante superiores aos requerimentos regulatórios, mesmo ao se considerar o ambiente econômico adverso no ano, refletido no desempenho dos indicadores de rentabilidade.

O Índice de Basileia (Capital Total) dos bancos brasileiros teve elevação, em 2017, de 17,4% para 18,2%, o que confirma a adaptação dos bancos brasileiros aos novos requisitos prudenciais de Basileia III, cujo cronograma se estende até 2022.

No que se refere ao Capital Principal, de maior qualidade, os bancos registraram índice de 13,52% em dezembro de 2017, ante 12,72% no mesmo mês de 2016, o que também reforça a solidez dessas instituições.

Evolução do Índice de Basileia
Evolução do Índice de Basileia Fonte: Banco Central do Brasil.
* Conforme segmentação BACEN – B1 e B2.
FEBRABAN - Dinâmica do Setor Bancário 2017

PARTE I

DINÂMICA DO SETOR BANCÁRIO 2017

PATRIMÔNIO LÍQUIDO DO SETOR BANCÁRIO (R$ BILHÕES)*

Patrimônio líquido do setor bancário * Valores revistos para critérios de segmentação B1 e B2 do BACEN.

INVESTIMENTO EM TECNOLOGIA (R$ BILHÕES)

Investimento em tecnologia

LUCRO LÍQUIDO DO SETOR BANCÁRIO (R$ BILHÕES)*

Lucro líquido do setor bancário * Valores revistos para critérios de segmentação B1 e B2 do BACEN.

RETORNO SOBRE PATRIMÔNIO LÍQUIDO DO SETOR BANCÁRIO (%)

Retorno sobre patrimônio líquido do setor bancário

TRANSAÇÕES EM CANAIS DIGITAIS (BILHÕES)

Transações em canais digitais

BOLETOS ELETRÔNICOS ACUMULADOS NO DDA (BILHÕES)

Boletos eletrônicos acumulados no DDA
OPERAÇÕES DE CRÉDITO (R$ TRILHÕES)
Operações de crédito
TRANSAÇÕES COM CARTÕES DE CRÉDITO E DÉBITO (BILHÕES)
Transações com cartão de crédito e débito
VALOR DAS TRANSAÇÕES COM CARTÕES DE CRÉDITO E DÉBITO (R$ BILHÕES)*
Valor das transações com cartões de crédito e débito * Valores dos anos anteriores foram revistos pela Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (ABECS).
CONSUMIDORES COM RELACIONAMENTOS ATIVOS NO SISTEMA (MILHÕES)
Consumidores com relacionamentos ativos no sistema
CENÁRIO ECONÔMICO

Em 2017, a atividade econômica no País seguiu em trajetória de retomada gradual, evidenciada por quatro aumentos trimestrais consecutivos do PIB na margem, e encerrou com crescimento de 1,0% após dois anos de forte retração.

Considerado esse contexto e as perspectivas mais positivas em relação à continuidade da recuperação, as projeções de mercado para o crescimento anual do PIB em 2018 e 2019 situam-se em torno de 2,75% ao ano, o que traduz perspectivas mais favoráveis no médio prazo.

Do lado da oferta, destaca-se o resultado positivo da indústria de transformação, que aumentou 2,4% no último ano após recuar 17% no acumulado de 2014 a 2016, segundo a Pesquisa Industrial Mensal (PIM-IBGE). Também impulsionaram o PIB de 2017 os setores da agropecuária, com alta de 13%; e de serviços, ainda que modestamente, com avanço de 0,3%. O comércio varejista ampliado (inclui as vendas de veículos e de materiais de construção) cresceu 4%, primeira alta desde 2013, segundo Pesquisa Comercial Mensal (PMC-IBGE).

No âmbito da demanda, destacou-se a melhora consistente do consumo das famílias, com elevação de 1% no PIB de 2017. A evolução do consumo evidencia principalmente o aumento gradual do poder de compra, impulsionado por redução da inflação, condições mais favoráveis no mercado de trabalho e no crédito e liberações extraordinárias de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

Ainda em relação à demanda, os investimentos (Formação Bruta de Capital Fixo – FBCF) voltaram a crescer no 4T17 na base anual, o que não ocorria desde o 1T14, com alta de 3,8% ao ano. A FBCF registrou recuperação na margem ao longo de todo o ano de 2017, o que repercutiu melhora gradativa na importação e na produção de bens de capital, bem como evolução na produção de insumos de construção civil e de máquinas e equipamentos associados ao setor. Tal evolução, em conjunto com indicadores de confiança de empresários, sugere que os investimentos continuarão reagindo após a forte retração de 2014 a 2016.

Por fim, a taxa de desemprego, divulgada pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua – IBGE), atingiu 11,8% no último trimestre de 2017, após superar 13,5% durante o ano. Embora a redução da taxa de desocupação reflita em boa parte um aumento de ocupados em categorias informais, revela também reversão expressiva na dinâmica de criação de empregos no mercado formal. Quanto à renda do trabalhador, a queda da inflação em curso segue favorecendo a recuperação gradual de seu poder aquisitivo. De acordo com dados da PNAD Contínua, o rendimento médio real habitual de todos os trabalhos aumentou 1,6% no 4T17 ante o 4T16, e a massa salarial cresceu 3,6% nessa mesma comparação.

CRÉDITO

O saldo total das operações de crédito do Sistema Financeiro Nacional (SFN) declinou 0,6% em 2017, após recuo nominal de 3,5% em 2016.

Em 2017, as variações foram de -3,0% no crédito direcionado e +1,7% no crédito livre, este basicamente por conta do desempenho do segmento de pessoas físicas (PF), com +5,2%, ante queda no segmento de pessoas jurídicas (PJ), (-2,0%). No crédito direcionado, o saldo de PF cresceu (+6,2%), enquanto de PJ recuou (-11,6%).

De modo geral, a carteira de PF seguiu mostrando maior dinamismo ao longo do ano, em contexto de melhora gradativa do mercado de trabalho, forte redução da inflação e dos juros, importante desalavancagem de dívidas das famílias e consequente recuperação gradual do consumo e do varejo.

Destacaram-se na evolução do saldo de crédito às pessoas físicas em 2017: o aumento no saldo de empréstimos no crédito consignado (+7,9%), aquisição de veículos (+4,3%), cartão de crédito à vista (+11,8%), financiamento imobiliário (+5,7%) e crédito rural (+8,4%). Já os saldos de cheque especial (-6,9%) e de cartão de crédito rotativo (-14%) recuaram.

Em 2017, o crédito bancário às pessoas jurídicas sofreu com a ociosidade ainda elevada na indústria, com a recuperação mais lenta dos investimentos e com o processo mais demorado de desalavancagem e restruturação das dívidas das empresas. Vale citar, porém, que boa parte da queda foi compensada pelo grande aumento de captações no mercado de capitais, consideradas tanto as emissões domésticas quanto externas.

Como destaques ainda positivos no crédito bancário às pessoas jurídicas, ressaltam-se: crescimento dos saldos nas modalidades de desconto de duplicatas (+51,1%), antecipação de recebíveis de cartão (+555,7%) e financiamento a importações (+9,3%) e exportações (+2,7%). Entretanto, houve forte queda em modalidades muito representativas, como capital de giro (-8,8%), conta garantida (-11,7%) e repasse externo (-7,0%), o que puxou o crédito à pessoa jurídica com recursos livres para o terreno negativo. Nas modalidades direcionadas, houve retração do crédito rural (-16,9%), de financiamentos imobiliários (-16,2%) e do saldo do BNDES (-11,8%), impactado por liquidações de operações e pelas novas políticas da instituição.

Crédito rural

Em relação ao segmento de crédito rural, no ano agrícola 2016/2017 (1º de julho de 2016 a 30 de junho e 2017), segundo dados do BACEN, o número total de operações contratadas foi de R$ 2,10 milhões, ante R$ 2,33 milhões na safra anterior.

Quanto ao volume financeiro da safra 2016/2017, o montante foi de R$ 153,5 bilhões, ante R$ 165,8 bilhões em 2015/2016, dos quais a maior parte foi destinada a operações de custeio (59,6%) e de investimento (23,1%).

É importante destacar a tendência de crescimento no volume de recursos oriundos da emissão de Letras de Crédito do Agronegócio (LCA). Na safra 2016/2017, esses títulos representaram 11,2% do total de operações contratadas (R$ 17,1 bilhões), ante 8,1% do período anterior (R$ 13,4 bilhões).

Cabe salientar que, desde o ano agrícola 2015/2016, passou a vigorar o direcionamento dos recursos captados pela emissão de LCA para o financiamento da agricultura.

Ainda assim, a maior parcela dos volumes (R$ 48,3 bilhões ou 31,5% do total) provém dos recursos obrigatórios, com taxas de juros fixas estabelecidas para o financiamento. O saldo total da carteira de crédito rural, em julho de 2017, foi R$ 241,8 bilhões, ante R$ 234,0 bilhões em julho de 2016.

JUROS E SPREAD

A taxa média de juros das operações de crédito ficou em 25,6% ao ano no fim de 2017, recuo de 6,6 pontos percentuais (p.p.) em relação ao ano anterior, em linha com o ciclo da política monetária e queda da Selic. Houve redução de 11,9 p.p. no segmento de recursos livres e de 1,5 p.p. no âmbito das operações com recursos direcionados. Destaca-se, no crédito livre, a queda de 17,3 p.p. nas taxas para pessoa física e de -6,6 p.p. para pessoa jurídica.

Vale lembrar que o BC divulga, desde abril de 2017 (com dados desde 2013), o Indicador de Custo do Crédito (ICC), que permite avaliar o custo médio considerando o efeito das taxas contratadas no passado. Por razões metodológicas, a taxa de juros no crédito com recursos livres é muito impactada por modalidades com prazos de vencimento diferentes.

Portanto, para uma visão mais completa do custo do crédito e dos spreads bancários, devem-se combinar taxas, concessões, saldos e prazos das operações. O ICC é a medida mais exata para base de cálculo.

Considerando-se as medidas do ICC no fim de 2017, o spread do crédito livre para pessoa física ficou em 37,0% a.a. e para pessoa jurídica, em 12,8% a.a. Já no direcionado, o spread para PF ficou em 3,3% a.a. e 3,6% a.a. para PJ.

TAXA DE INADIMPLÊNCIA E ENDIVIDAMENTO

Em 2017, a inadimplência (acima de 90 dias) da carteira de PJ apresentou recuo de 3,5% para 2,9% e a carteira de PF, de 3,9% para 3,5%. A taxa total passou de 3,7% para 3,2%.

Os atrasos (de 15 a 90 dias) também diminuíram em relação a dezembro de 2016, de 4,5% para 4,4% no total, e alcançaram 2,2% em pessoas jurídicas (-0,9 p.p.) e 6,3% em pessoas físicas (+0,5 p.p.).

Observa-se que atrasos e inadimplência no crédito registraram alta entre 2015 e meados de 2017, momento mais agudo da recessão econômica, com níveis historicamente elevados. A reversão a partir de 2017 confirmou-se ao longo do ano, com a retomada gradual do crescimento do varejo e da indústria.

Taxa de inadimplência e endividamento
Taxa de inadimplência e endividamento
CAPTAÇÃO DE RECURSOS

O sistema bancário segue contando com recursos estáveis em volume suficiente para financiar suas atividades, tanto de curto como de longo prazo.

A estrutura de captação dos bancos brasileiros não sofreu grande alteração em 2017, sendo ainda predominantemente via depósitos a prazo, de poupança e à vista, que respondem por pouco mais de 30% do total captado, bem como emissão de letras financeiras, imobiliárias e do agronegócio, além de repasses do BNDES e captações no mercado aberto.

Em 2017, houve continuidade do processo de migração das operações compromissadas, sobretudo dos depósitos a prazo, como efeito da Resolução 4.527/2016, que vedou a realização, a prorrogação ou a renovação de operações compromissadas com títulos de emissão ou o aceite de instituições ligadas ou integrantes do mesmo conglomerado prudencial.

Essa categoria apresentou crescimento de 19,4% em relação a 2016, ante +13,6% no ano anterior. Adicionalmente, o movimento de redução da taxa básica de juros da economia favoreceu a recuperação da captação de recursos via poupança, com elevação de 9% em 2017, ante +1,3% no período anterior.

Volume de captações (R$ bilhões)
Volume de captações Fonte: Banco Central do Brasil.
MARGEM DE JUROS (CRÉDITO E TÍTULOS)

Segundo o Relatório de Estabilidade Financeira do Banco Central do Brasil, de dezembro de 2017, a margem bruta de juros – que representa a diferença entre o retorno da carteira de crédito e títulos e o custo de captação – manteve-se praticamente estável ao longo do segundo semestre.

Apesar da redução da rentabilidade das operações de crédito, decorrente de menores taxas cobradas nas novas operações em consonância com a redução da taxa Selic, esse efeito é mais do que compensado pela redução dos custos de captação, o que resultou algum ganho na margem bruta de crédito.

Entretanto, ao considerar a margem bruta de juros mais abrangente (crédito mais títulos), a queda do spread na intermediação de títulos e valores mobiliários praticamente anula esse ganho.

Margem de juros (crédito e títulos) – %
Margem de juros (crédito e títulos)
RESILIÊNCIA DO SETOR BANCÁRIO – ÍNDICE DE BASILEIA

A estabilidade financeira depende da resiliência das instituições para absorver riscos e choques. Nesse sentido, o sistema bancário apresenta sólidos índices de capitalização e baixa alavancagem, tanto em relação à regulação atual quanto às regras de Basileia III.

Em 2017, o sistema bancário operou com índices de capital bastante superiores aos requerimentos regulatórios, mesmo ao se considerar o ambiente econômico adverso no ano, refletido no desempenho dos indicadores de rentabilidade.

O Índice de Basileia (Capital Total) dos bancos brasileiros teve elevação, em 2017, de 17,4% para 18,2%, o que confirma a adaptação dos bancos brasileiros aos novos requisitos prudenciais de Basileia III, cujo cronograma se estende até 2022.

No que se refere ao Capital Principal, de maior qualidade, os bancos registraram índice de 13,52% em dezembro de 2017, ante 12,72% no mesmo mês de 2016, o que também reforça a solidez dessas instituições.

Evolução do Índice de Basileia
Evolução do Índice de Basileia Fonte: Banco Central do Brasil.
* Conforme segmentação BACEN – B1 e B2.
FEBRABAN - Dinâmica do Setor Bancário 2017

PARTE I

DINÂMICA DO SETOR BANCÁRIO 2017

PATRIMÔNIO LÍQUIDO DO SETOR BANCÁRIO (R$ BILHÕES)*

Patrimônio líquido do setor bancário * Valores revistos para critérios de segmentação B1 e B2 do BACEN.

INVESTIMENTO EM TECNOLOGIA (R$ BILHÕES)

Investimento em tecnologia

LUCRO LÍQUIDO DO SETOR BANCÁRIO (R$ BILHÕES)*

Lucro líquido do setor bancário * Valores revistos para critérios de segmentação B1 e B2 do BACEN.

RETORNO SOBRE PATRIMÔNIO LÍQUIDO DO SETOR BANCÁRIO (%)

Retorno sobre patrimônio líquido do setor bancário

TRANSAÇÕES EM CANAIS DIGITAIS (BILHÕES)

Transações em canais digitais

BOLETOS ELETRÔNICOS ACUMULADOS NO DDA (BILHÕES)

Boletos eletrônicos acumulados no DDA
OPERAÇÕES DE CRÉDITO (R$ TRILHÕES)
Operações de crédito
TRANSAÇÕES COM CARTÕES DE CRÉDITO E DÉBITO (BILHÕES)
Transações com cartão de crédito e débito
VALOR DAS TRANSAÇÕES COM CARTÕES DE CRÉDITO E DÉBITO (R$ BILHÕES)*
Valor das transações com cartões de crédito e débito * Valores dos anos anteriores foram revistos pela Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (ABECS).
CONSUMIDORES COM RELACIONAMENTOS ATIVOS NO SISTEMA (MILHÕES)
Consumidores com relacionamentos ativos no sistema
CENÁRIO ECONÔMICO

Em 2017, a atividade econômica no País seguiu em trajetória de retomada gradual, evidenciada por quatro aumentos trimestrais consecutivos do PIB na margem, e encerrou com crescimento de 1,0% após dois anos de forte retração.

Considerado esse contexto e as perspectivas mais positivas em relação à continuidade da recuperação, as projeções de mercado para o crescimento anual do PIB em 2018 e 2019 situam-se em torno de 2,75% ao ano, o que traduz perspectivas mais favoráveis no médio prazo.

Do lado da oferta, destaca-se o resultado positivo da indústria de transformação, que aumentou 2,4% no último ano após recuar 17% no acumulado de 2014 a 2016, segundo a Pesquisa Industrial Mensal (PIM-IBGE). Também impulsionaram o PIB de 2017 os setores da agropecuária, com alta de 13%; e de serviços, ainda que modestamente, com avanço de 0,3%. O comércio varejista ampliado (inclui as vendas de veículos e de materiais de construção) cresceu 4%, primeira alta desde 2013, segundo Pesquisa Comercial Mensal (PMC-IBGE).

No âmbito da demanda, destacou-se a melhora consistente do consumo das famílias, com elevação de 1% no PIB de 2017. A evolução do consumo evidencia principalmente o aumento gradual do poder de compra, impulsionado por redução da inflação, condições mais favoráveis no mercado de trabalho e no crédito e liberações extraordinárias de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

Ainda em relação à demanda, os investimentos (Formação Bruta de Capital Fixo – FBCF) voltaram a crescer no 4T17 na base anual, o que não ocorria desde o 1T14, com alta de 3,8% ao ano. A FBCF registrou recuperação na margem ao longo de todo o ano de 2017, o que repercutiu melhora gradativa na importação e na produção de bens de capital, bem como evolução na produção de insumos de construção civil e de máquinas e equipamentos associados ao setor. Tal evolução, em conjunto com indicadores de confiança de empresários, sugere que os investimentos continuarão reagindo após a forte retração de 2014 a 2016.

Por fim, a taxa de desemprego, divulgada pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua – IBGE), atingiu 11,8% no último trimestre de 2017, após superar 13,5% durante o ano. Embora a redução da taxa de desocupação reflita em boa parte um aumento de ocupados em categorias informais, revela também reversão expressiva na dinâmica de criação de empregos no mercado formal. Quanto à renda do trabalhador, a queda da inflação em curso segue favorecendo a recuperação gradual de seu poder aquisitivo. De acordo com dados da PNAD Contínua, o rendimento médio real habitual de todos os trabalhos aumentou 1,6% no 4T17 ante o 4T16, e a massa salarial cresceu 3,6% nessa mesma comparação.

CRÉDITO

O saldo total das operações de crédito do Sistema Financeiro Nacional (SFN) declinou 0,6% em 2017, após recuo nominal de 3,5% em 2016.

Em 2017, as variações foram de -3,0% no crédito direcionado e +1,7% no crédito livre, este basicamente por conta do desempenho do segmento de pessoas físicas (PF), com +5,2%, ante queda no segmento de pessoas jurídicas (PJ), (-2,0%). No crédito direcionado, o saldo de PF cresceu (+6,2%), enquanto de PJ recuou (-11,6%).

De modo geral, a carteira de PF seguiu mostrando maior dinamismo ao longo do ano, em contexto de melhora gradativa do mercado de trabalho, forte redução da inflação e dos juros, importante desalavancagem de dívidas das famílias e consequente recuperação gradual do consumo e do varejo.

Destacaram-se na evolução do saldo de crédito às pessoas físicas em 2017: o aumento no saldo de empréstimos no crédito consignado (+7,9%), aquisição de veículos (+4,3%), cartão de crédito à vista (+11,8%), financiamento imobiliário (+5,7%) e crédito rural (+8,4%). Já os saldos de cheque especial (-6,9%) e de cartão de crédito rotativo (-14%) recuaram.

Em 2017, o crédito bancário às pessoas jurídicas sofreu com a ociosidade ainda elevada na indústria, com a recuperação mais lenta dos investimentos e com o processo mais demorado de desalavancagem e restruturação das dívidas das empresas. Vale citar, porém, que boa parte da queda foi compensada pelo grande aumento de captações no mercado de capitais, consideradas tanto as emissões domésticas quanto externas.

Como destaques ainda positivos no crédito bancário às pessoas jurídicas, ressaltam-se: crescimento dos saldos nas modalidades de desconto de duplicatas (+51,1%), antecipação de recebíveis de cartão (+555,7%) e financiamento a importações (+9,3%) e exportações (+2,7%). Entretanto, houve forte queda em modalidades muito representativas, como capital de giro (-8,8%), conta garantida (-11,7%) e repasse externo (-7,0%), o que puxou o crédito à pessoa jurídica com recursos livres para o terreno negativo. Nas modalidades direcionadas, houve retração do crédito rural (-16,9%), de financiamentos imobiliários (-16,2%) e do saldo do BNDES (-11,8%), impactado por liquidações de operações e pelas novas políticas da instituição.

Crédito rural

Em relação ao segmento de crédito rural, no ano agrícola 2016/2017 (1º de julho de 2016 a 30 de junho e 2017), segundo dados do BACEN, o número total de operações contratadas foi de R$ 2,10 milhões, ante R$ 2,33 milhões na safra anterior.

Quanto ao volume financeiro da safra 2016/2017, o montante foi de R$ 153,5 bilhões, ante R$ 165,8 bilhões em 2015/2016, dos quais a maior parte foi destinada a operações de custeio (59,6%) e de investimento (23,1%).

É importante destacar a tendência de crescimento no volume de recursos oriundos da emissão de Letras de Crédito do Agronegócio (LCA). Na safra 2016/2017, esses títulos representaram 11,2% do total de operações contratadas (R$ 17,1 bilhões), ante 8,1% do período anterior (R$ 13,4 bilhões).

Cabe salientar que, desde o ano agrícola 2015/2016, passou a vigorar o direcionamento dos recursos captados pela emissão de LCA para o financiamento da agricultura.

Ainda assim, a maior parcela dos volumes (R$ 48,3 bilhões ou 31,5% do total) provém dos recursos obrigatórios, com taxas de juros fixas estabelecidas para o financiamento. O saldo total da carteira de crédito rural, em julho de 2017, foi R$ 241,8 bilhões, ante R$ 234,0 bilhões em julho de 2016.

JUROS E SPREAD

A taxa média de juros das operações de crédito ficou em 25,6% ao ano no fim de 2017, recuo de 6,6 pontos percentuais (p.p.) em relação ao ano anterior, em linha com o ciclo da política monetária e queda da Selic. Houve redução de 11,9 p.p. no segmento de recursos livres e de 1,5 p.p. no âmbito das operações com recursos direcionados. Destaca-se, no crédito livre, a queda de 17,3 p.p. nas taxas para pessoa física e de -6,6 p.p. para pessoa jurídica.

Vale lembrar que o BC divulga, desde abril de 2017 (com dados desde 2013), o Indicador de Custo do Crédito (ICC), que permite avaliar o custo médio considerando o efeito das taxas contratadas no passado. Por razões metodológicas, a taxa de juros no crédito com recursos livres é muito impactada por modalidades com prazos de vencimento diferentes.

Portanto, para uma visão mais completa do custo do crédito e dos spreads bancários, devem-se combinar taxas, concessões, saldos e prazos das operações. O ICC é a medida mais exata para base de cálculo.

Considerando-se as medidas do ICC no fim de 2017, o spread do crédito livre para pessoa física ficou em 37,0% a.a. e para pessoa jurídica, em 12,8% a.a. Já no direcionado, o spread para PF ficou em 3,3% a.a. e 3,6% a.a. para PJ.

TAXA DE INADIMPLÊNCIA E ENDIVIDAMENTO

Em 2017, a inadimplência (acima de 90 dias) da carteira de PJ apresentou recuo de 3,5% para 2,9% e a carteira de PF, de 3,9% para 3,5%. A taxa total passou de 3,7% para 3,2%.

Os atrasos (de 15 a 90 dias) também diminuíram em relação a dezembro de 2016, de 4,5% para 4,4% no total, e alcançaram 2,2% em pessoas jurídicas (-0,9 p.p.) e 6,3% em pessoas físicas (+0,5 p.p.).

Observa-se que atrasos e inadimplência no crédito registraram alta entre 2015 e meados de 2017, momento mais agudo da recessão econômica, com níveis historicamente elevados. A reversão a partir de 2017 confirmou-se ao longo do ano, com a retomada gradual do crescimento do varejo e da indústria.

Taxa de inadimplência e endividamento
Taxa de inadimplência e endividamento
CAPTAÇÃO DE RECURSOS

O sistema bancário segue contando com recursos estáveis em volume suficiente para financiar suas atividades, tanto de curto como de longo prazo.

A estrutura de captação dos bancos brasileiros não sofreu grande alteração em 2017, sendo ainda predominantemente via depósitos a prazo, de poupança e à vista, que respondem por pouco mais de 30% do total captado, bem como emissão de letras financeiras, imobiliárias e do agronegócio, além de repasses do BNDES e captações no mercado aberto.

Em 2017, houve continuidade do processo de migração das operações compromissadas, sobretudo dos depósitos a prazo, como efeito da Resolução 4.527/2016, que vedou a realização, a prorrogação ou a renovação de operações compromissadas com títulos de emissão ou o aceite de instituições ligadas ou integrantes do mesmo conglomerado prudencial.

Essa categoria apresentou crescimento de 19,4% em relação a 2016, ante +13,6% no ano anterior. Adicionalmente, o movimento de redução da taxa básica de juros da economia favoreceu a recuperação da captação de recursos via poupança, com elevação de 9% em 2017, ante +1,3% no período anterior.

Volume de captações (R$ bilhões)
Volume de captações Fonte: Banco Central do Brasil.
MARGEM DE JUROS (CRÉDITO E TÍTULOS)

Segundo o Relatório de Estabilidade Financeira do Banco Central do Brasil, de dezembro de 2017, a margem bruta de juros – que representa a diferença entre o retorno da carteira de crédito e títulos e o custo de captação – manteve-se praticamente estável ao longo do segundo semestre.

Apesar da redução da rentabilidade das operações de crédito, decorrente de menores taxas cobradas nas novas operações em consonância com a redução da taxa Selic, esse efeito é mais do que compensado pela redução dos custos de captação, o que resultou algum ganho na margem bruta de crédito.

Entretanto, ao considerar a margem bruta de juros mais abrangente (crédito mais títulos), a queda do spread na intermediação de títulos e valores mobiliários praticamente anula esse ganho.

Margem de juros (crédito e títulos) – %
Margem de juros (crédito e títulos)
RESILIÊNCIA DO SETOR BANCÁRIO – ÍNDICE DE BASILEIA

A estabilidade financeira depende da resiliência das instituições para absorver riscos e choques. Nesse sentido, o sistema bancário apresenta sólidos índices de capitalização e baixa alavancagem, tanto em relação à regulação atual quanto às regras de Basileia III.

Em 2017, o sistema bancário operou com índices de capital bastante superiores aos requerimentos regulatórios, mesmo ao se considerar o ambiente econômico adverso no ano, refletido no desempenho dos indicadores de rentabilidade.

O Índice de Basileia (Capital Total) dos bancos brasileiros teve elevação, em 2017, de 17,4% para 18,2%, o que confirma a adaptação dos bancos brasileiros aos novos requisitos prudenciais de Basileia III, cujo cronograma se estende até 2022.

No que se refere ao Capital Principal, de maior qualidade, os bancos registraram índice de 13,52% em dezembro de 2017, ante 12,72% no mesmo mês de 2016, o que também reforça a solidez dessas instituições.

Evolução do Índice de Basileia
Evolução do Índice de Basileia Fonte: Banco Central do Brasil.
* Conforme segmentação BACEN – B1 e B2.
FEBRABAN - Dinâmica do Setor Bancário 2017

PARTE I

DINÂMICA DO SETOR BANCÁRIO 2017

PATRIMÔNIO LÍQUIDO DO SETOR BANCÁRIO (R$ BILHÕES)*

Patrimônio líquido do setor bancário * Valores revistos para critérios de segmentação B1 e B2 do BACEN.

INVESTIMENTO EM TECNOLOGIA (R$ BILHÕES)

Investimento em tecnologia

LUCRO LÍQUIDO DO SETOR BANCÁRIO (R$ BILHÕES)*

Lucro líquido do setor bancário * Valores revistos para critérios de segmentação B1 e B2 do BACEN.

RETORNO SOBRE PATRIMÔNIO LÍQUIDO DO SETOR BANCÁRIO (%)

Retorno sobre patrimônio líquido do setor bancário

TRANSAÇÕES EM CANAIS DIGITAIS (BILHÕES)

Transações em canais digitais

BOLETOS ELETRÔNICOS ACUMULADOS NO DDA (BILHÕES)

Boletos eletrônicos acumulados no DDA
OPERAÇÕES DE CRÉDITO (R$ TRILHÕES)
Operações de crédito
TRANSAÇÕES COM CARTÕES DE CRÉDITO E DÉBITO (BILHÕES)
Transações com cartão de crédito e débito
VALOR DAS TRANSAÇÕES COM CARTÕES DE CRÉDITO E DÉBITO (R$ BILHÕES)*
Valor das transações com cartões de crédito e débito * Valores dos anos anteriores foram revistos pela Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (ABECS).
CONSUMIDORES COM RELACIONAMENTOS ATIVOS NO SISTEMA (MILHÕES)
Consumidores com relacionamentos ativos no sistema
CENÁRIO ECONÔMICO

Em 2017, a atividade econômica no País seguiu em trajetória de retomada gradual, evidenciada por quatro aumentos trimestrais consecutivos do PIB na margem, e encerrou com crescimento de 1,0% após dois anos de forte retração.

Considerado esse contexto e as perspectivas mais positivas em relação à continuidade da recuperação, as projeções de mercado para o crescimento anual do PIB em 2018 e 2019 situam-se em torno de 2,75% ao ano, o que traduz perspectivas mais favoráveis no médio prazo.

Do lado da oferta, destaca-se o resultado positivo da indústria de transformação, que aumentou 2,4% no último ano após recuar 17% no acumulado de 2014 a 2016, segundo a Pesquisa Industrial Mensal (PIM-IBGE). Também impulsionaram o PIB de 2017 os setores da agropecuária, com alta de 13%; e de serviços, ainda que modestamente, com avanço de 0,3%. O comércio varejista ampliado (inclui as vendas de veículos e de materiais de construção) cresceu 4%, primeira alta desde 2013, segundo Pesquisa Comercial Mensal (PMC-IBGE).

No âmbito da demanda, destacou-se a melhora consistente do consumo das famílias, com elevação de 1% no PIB de 2017. A evolução do consumo evidencia principalmente o aumento gradual do poder de compra, impulsionado por redução da inflação, condições mais favoráveis no mercado de trabalho e no crédito e liberações extraordinárias de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

Ainda em relação à demanda, os investimentos (Formação Bruta de Capital Fixo – FBCF) voltaram a crescer no 4T17 na base anual, o que não ocorria desde o 1T14, com alta de 3,8% ao ano. A FBCF registrou recuperação na margem ao longo de todo o ano de 2017, o que repercutiu melhora gradativa na importação e na produção de bens de capital, bem como evolução na produção de insumos de construção civil e de máquinas e equipamentos associados ao setor. Tal evolução, em conjunto com indicadores de confiança de empresários, sugere que os investimentos continuarão reagindo após a forte retração de 2014 a 2016.

Por fim, a taxa de desemprego, divulgada pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua – IBGE), atingiu 11,8% no último trimestre de 2017, após superar 13,5% durante o ano. Embora a redução da taxa de desocupação reflita em boa parte um aumento de ocupados em categorias informais, revela também reversão expressiva na dinâmica de criação de empregos no mercado formal. Quanto à renda do trabalhador, a queda da inflação em curso segue favorecendo a recuperação gradual de seu poder aquisitivo. De acordo com dados da PNAD Contínua, o rendimento médio real habitual de todos os trabalhos aumentou 1,6% no 4T17 ante o 4T16, e a massa salarial cresceu 3,6% nessa mesma comparação.

CRÉDITO

O saldo total das operações de crédito do Sistema Financeiro Nacional (SFN) declinou 0,6% em 2017, após recuo nominal de 3,5% em 2016.

Em 2017, as variações foram de -3,0% no crédito direcionado e +1,7% no crédito livre, este basicamente por conta do desempenho do segmento de pessoas físicas (PF), com +5,2%, ante queda no segmento de pessoas jurídicas (PJ), (-2,0%). No crédito direcionado, o saldo de PF cresceu (+6,2%), enquanto de PJ recuou (-11,6%).

De modo geral, a carteira de PF seguiu mostrando maior dinamismo ao longo do ano, em contexto de melhora gradativa do mercado de trabalho, forte redução da inflação e dos juros, importante desalavancagem de dívidas das famílias e consequente recuperação gradual do consumo e do varejo.

Destacaram-se na evolução do saldo de crédito às pessoas físicas em 2017: o aumento no saldo de empréstimos no crédito consignado (+7,9%), aquisição de veículos (+4,3%), cartão de crédito à vista (+11,8%), financiamento imobiliário (+5,7%) e crédito rural (+8,4%). Já os saldos de cheque especial (-6,9%) e de cartão de crédito rotativo (-14%) recuaram.

Em 2017, o crédito bancário às pessoas jurídicas sofreu com a ociosidade ainda elevada na indústria, com a recuperação mais lenta dos investimentos e com o processo mais demorado de desalavancagem e restruturação das dívidas das empresas. Vale citar, porém, que boa parte da queda foi compensada pelo grande aumento de captações no mercado de capitais, consideradas tanto as emissões domésticas quanto externas.

Como destaques ainda positivos no crédito bancário às pessoas jurídicas, ressaltam-se: crescimento dos saldos nas modalidades de desconto de duplicatas (+51,1%), antecipação de recebíveis de cartão (+555,7%) e financiamento a importações (+9,3%) e exportações (+2,7%). Entretanto, houve forte queda em modalidades muito representativas, como capital de giro (-8,8%), conta garantida (-11,7%) e repasse externo (-7,0%), o que puxou o crédito à pessoa jurídica com recursos livres para o terreno negativo. Nas modalidades direcionadas, houve retração do crédito rural (-16,9%), de financiamentos imobiliários (-16,2%) e do saldo do BNDES (-11,8%), impactado por liquidações de operações e pelas novas políticas da instituição.

Crédito rural

Em relação ao segmento de crédito rural, no ano agrícola 2016/2017 (1º de julho de 2016 a 30 de junho e 2017), segundo dados do BACEN, o número total de operações contratadas foi de R$ 2,10 milhões, ante R$ 2,33 milhões na safra anterior.

Quanto ao volume financeiro da safra 2016/2017, o montante foi de R$ 153,5 bilhões, ante R$ 165,8 bilhões em 2015/2016, dos quais a maior parte foi destinada a operações de custeio (59,6%) e de investimento (23,1%).

É importante destacar a tendência de crescimento no volume de recursos oriundos da emissão de Letras de Crédito do Agronegócio (LCA). Na safra 2016/2017, esses títulos representaram 11,2% do total de operações contratadas (R$ 17,1 bilhões), ante 8,1% do período anterior (R$ 13,4 bilhões).

Cabe salientar que, desde o ano agrícola 2015/2016, passou a vigorar o direcionamento dos recursos captados pela emissão de LCA para o financiamento da agricultura.

Ainda assim, a maior parcela dos volumes (R$ 48,3 bilhões ou 31,5% do total) provém dos recursos obrigatórios, com taxas de juros fixas estabelecidas para o financiamento. O saldo total da carteira de crédito rural, em julho de 2017, foi R$ 241,8 bilhões, ante R$ 234,0 bilhões em julho de 2016.

JUROS E SPREAD

A taxa média de juros das operações de crédito ficou em 25,6% ao ano no fim de 2017, recuo de 6,6 pontos percentuais (p.p.) em relação ao ano anterior, em linha com o ciclo da política monetária e queda da Selic. Houve redução de 11,9 p.p. no segmento de recursos livres e de 1,5 p.p. no âmbito das operações com recursos direcionados. Destaca-se, no crédito livre, a queda de 17,3 p.p. nas taxas para pessoa física e de -6,6 p.p. para pessoa jurídica.

Vale lembrar que o BC divulga, desde abril de 2017 (com dados desde 2013), o Indicador de Custo do Crédito (ICC), que permite avaliar o custo médio considerando o efeito das taxas contratadas no passado. Por razões metodológicas, a taxa de juros no crédito com recursos livres é muito impactada por modalidades com prazos de vencimento diferentes.

Portanto, para uma visão mais completa do custo do crédito e dos spreads bancários, devem-se combinar taxas, concessões, saldos e prazos das operações. O ICC é a medida mais exata para base de cálculo.

Considerando-se as medidas do ICC no fim de 2017, o spread do crédito livre para pessoa física ficou em 37,0% a.a. e para pessoa jurídica, em 12,8% a.a. Já no direcionado, o spread para PF ficou em 3,3% a.a. e 3,6% a.a. para PJ.

TAXA DE INADIMPLÊNCIA E ENDIVIDAMENTO

Em 2017, a inadimplência (acima de 90 dias) da carteira de PJ apresentou recuo de 3,5% para 2,9% e a carteira de PF, de 3,9% para 3,5%. A taxa total passou de 3,7% para 3,2%.

Os atrasos (de 15 a 90 dias) também diminuíram em relação a dezembro de 2016, de 4,5% para 4,4% no total, e alcançaram 2,2% em pessoas jurídicas (-0,9 p.p.) e 6,3% em pessoas físicas (+0,5 p.p.).

Observa-se que atrasos e inadimplência no crédito registraram alta entre 2015 e meados de 2017, momento mais agudo da recessão econômica, com níveis historicamente elevados. A reversão a partir de 2017 confirmou-se ao longo do ano, com a retomada gradual do crescimento do varejo e da indústria.

Taxa de inadimplência e endividamento
Taxa de inadimplência e endividamento
CAPTAÇÃO DE RECURSOS

O sistema bancário segue contando com recursos estáveis em volume suficiente para financiar suas atividades, tanto de curto como de longo prazo.

A estrutura de captação dos bancos brasileiros não sofreu grande alteração em 2017, sendo ainda predominantemente via depósitos a prazo, de poupança e à vista, que respondem por pouco mais de 30% do total captado, bem como emissão de letras financeiras, imobiliárias e do agronegócio, além de repasses do BNDES e captações no mercado aberto.

Em 2017, houve continuidade do processo de migração das operações compromissadas, sobretudo dos depósitos a prazo, como efeito da Resolução 4.527/2016, que vedou a realização, a prorrogação ou a renovação de operações compromissadas com títulos de emissão ou o aceite de instituições ligadas ou integrantes do mesmo conglomerado prudencial.

Essa categoria apresentou crescimento de 19,4% em relação a 2016, ante +13,6% no ano anterior. Adicionalmente, o movimento de redução da taxa básica de juros da economia favoreceu a recuperação da captação de recursos via poupança, com elevação de 9% em 2017, ante +1,3% no período anterior.

Volume de captações (R$ bilhões)
Volume de captações Fonte: Banco Central do Brasil.
MARGEM DE JUROS (CRÉDITO E TÍTULOS)

Segundo o Relatório de Estabilidade Financeira do Banco Central do Brasil, de dezembro de 2017, a margem bruta de juros – que representa a diferença entre o retorno da carteira de crédito e títulos e o custo de captação – manteve-se praticamente estável ao longo do segundo semestre.

Apesar da redução da rentabilidade das operações de crédito, decorrente de menores taxas cobradas nas novas operações em consonância com a redução da taxa Selic, esse efeito é mais do que compensado pela redução dos custos de captação, o que resultou algum ganho na margem bruta de crédito.

Entretanto, ao considerar a margem bruta de juros mais abrangente (crédito mais títulos), a queda do spread na intermediação de títulos e valores mobiliários praticamente anula esse ganho.

Margem de juros (crédito e títulos) – %
Margem de juros (crédito e títulos)
RESILIÊNCIA DO SETOR BANCÁRIO – ÍNDICE DE BASILEIA

A estabilidade financeira depende da resiliência das instituições para absorver riscos e choques. Nesse sentido, o sistema bancário apresenta sólidos índices de capitalização e baixa alavancagem, tanto em relação à regulação atual quanto às regras de Basileia III.

Em 2017, o sistema bancário operou com índices de capital bastante superiores aos requerimentos regulatórios, mesmo ao se considerar o ambiente econômico adverso no ano, refletido no desempenho dos indicadores de rentabilidade.

O Índice de Basileia (Capital Total) dos bancos brasileiros teve elevação, em 2017, de 17,4% para 18,2%, o que confirma a adaptação dos bancos brasileiros aos novos requisitos prudenciais de Basileia III, cujo cronograma se estende até 2022.

No que se refere ao Capital Principal, de maior qualidade, os bancos registraram índice de 13,52% em dezembro de 2017, ante 12,72% no mesmo mês de 2016, o que também reforça a solidez dessas instituições.

Evolução do Índice de Basileia
Evolução do Índice de Basileia Fonte: Banco Central do Brasil.
* Conforme segmentação BACEN – B1 e B2.